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Acordo EUA–China acende alerta para perda de espaço da soja brasileira

Fase 1 do acordo EUA–China pode reduzir o protagonismo da soja brasileira no maior mercado do mundo e pressionar preços e margens do produtor.

23 de maio de 2026 4 min de leitura
Acordo EUA–China acende alerta para perda de espaço da soja brasileira

O acordo comercial entre Estados Unidos e China reacende a disputa pela soja no maior mercado comprador do mundo e coloca o Brasil em posição mais vulnerável. Com os chineses comprometidos a ampliar compras de produtos agrícolas norte-americanos, a soja brasileira pode perder parte do espaço conquistado durante a guerra comercial, com reflexos diretos em preços, prêmios e logística.

O que aconteceu

Estados Unidos e China firmaram um acordo de “Fase 1” que prevê aumento das compras chinesas de produtos agropecuários norte‑americanos. A soja está no centro desse compromisso, por ser o principal item agrícola dos EUA voltado ao mercado externo e peça-chave na alimentação de suínos e aves na China.

Durante a guerra comercial, tarifas impostas pelos chineses à soja americana abriram espaço para o Brasil, que assumiu a liderança isolada das exportações para esse destino. Com a trégua, parte desse fluxo tende a voltar aos portos norte‑americanos, reduzindo a dependência chinesa do grão brasileiro.

Analistas e consultores do Projeto Soja Brasil destacam que a negociação entre as duas maiores economias do mundo é essencialmente política. A China sinaliza disposição em honrar o acordo com Washington, o que pode significar redirecionamento de volumes que hoje vêm quase exclusivamente do Brasil.

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Por que importa para o agro

A reaproximação comercial EUA–China ameaça o protagonismo brasileiro no principal mercado global de soja. Se os chineses priorizarem o produto norte‑americano, o Brasil pode ter de buscar outros destinos, aceitar prêmios menores nos portos e conviver com maior volatilidade de preços internos.

Para o produtor, isso se traduz em mais risco na formação de margem. Sem a “compra garantida” da China, travas de preço via Bolsa de Chicago (CBOT) e dólar ganham importância. Quem entra na safra sem estratégia comercial pode ficar exposto a quedas de cotações justamente na época de maior oferta.

Dados e contexto

Segundo o USDA, a China responde por cerca de 60% das importações globais de soja. O Brasil é o maior fornecedor, seguido pelos EUA. Nos anos mais tensos da guerra comercial, o fluxo foi deslocado para cá:

Indicador (aprox.)Valor e fonte
Participação do Brasil nas importações chinesas de soja em 2018–2019Cerca de **75%** dos volumes – USDA
Exportações brasileiras de soja em 2023**~95 milhões t** – Conab
Produção de soja do Brasil em 2023/24**~150 milhões t** – Conab
Importações totais de soja pela China em 2023**~100 milhões t** – USDA

O acordo de Fase 1 prevê que a China eleve em dezenas de bilhões de dólares as compras de bens agrícolas dos EUA em relação à base de 2017. Ainda que nem todas as metas tenham sido cumpridas à risca, o movimento já foi suficiente para recolocar a soja americana como opção prioritária nas origens fora da América do Sul.

O Brasil segue competitivo no custo de produção e na eficiência de campo, com apoio de tecnologias da Embrapa que levaram a produtividade média acima de 3.500 kg/ha em muitas regiões. Porém, enfrenta gargalos de infraestrutura, frete mais caro em longas distâncias e limitações de armazenagem, o que reduz a capacidade de reter grão à espera de melhores preços.

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas devem acompanhar três variáveis centrais: ritmo das compras chinesas nos EUA, comportamento do prêmio nos portos brasileiros e câmbio. Se a China der preferência consistente à soja americana na entressafra do Hemisfério Norte, o Brasil terá de reforçar presença em outros mercados e profissionalizar ainda mais a comercialização com uso de contratos a termo, barter e operações em bolsa para proteger margem.

Fontes

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