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Acordo Mercosul–Canadá avança e abre espaço para mais acesso ao mercado

Mercosul e Canadá avançam em cinco capítulos do acordo comercial, com potencial para ampliar acesso de carnes, grãos e outros produtos do agro brasileiro.

30 de maio de 2026 4 min de leitura
Acordo Mercosul–Canadá avança e abre espaço para mais acesso ao mercado

O Itamaraty informou que as negociações do acordo comercial Mercosul–Canadá avançaram em cinco capítulos, em encontro recente em Brasília. O movimento recoloca o tema na agenda da política comercial brasileira e abre espaço para reduzir tarifas, ampliar acesso a um mercado de alta renda e diversificar o destino de exportações do agronegócio.

O que aconteceu

Reunião técnica entre representantes do Mercosul e do governo canadense resultou em avanços concretos em cinco capítulos do futuro acordo. Segundo o Itamaraty, os temas tratam de regras comerciais e marcos regulatórios, etapa essencial antes da fase mais sensível, que é a de acesso a mercados.

O encontro ocorreu em meio à tentativa de destravar a agenda externa do bloco, após o impasse com a União Europeia. O Canadá é parceiro importante em setores como mineração, energia, inovação e agricultura, o que torna o acordo relevante também para a agenda de competitividade do país.

A negociação inclui disciplinas modernas, como facilitação de comércio, propriedade intelectual, compras governamentais e temas regulatórios. A fase de troca de ofertas para bens e serviços, que define cortes tarifários e cotas, ainda é o ponto mais esperado pelo setor produtivo.

Por que importa para o agro

O Canadá é um mercado de alta renda e forte poder de compra, com demanda constante por alimentos processados, proteínas animais, grãos especiais e insumos agroindustriais. Um acordo com o Mercosul tende a reduzir tarifas, simplificar burocracias e tornar o produto brasileiro mais competitivo frente a concorrentes como Estados Unidos, União Europeia e Austrália.

Para o produtor rural, o impacto aparece em três frentes: mais previsibilidade regulatória, potencial abertura de novas rotas para carnes, açúcar, etanol, soja e milho, e maior interesse de investidores canadenses em projetos de infraestrutura logística e armazenamento no Brasil. O acordo também pode ser usado como vitrine de sustentabilidade e rastreabilidade, temas sensíveis para consumidores canadenses.

Dados e contexto

O Canadá é uma das maiores economias do mundo, com forte peso do setor de serviços e da agroindústria. O país é grande exportador de trigo, canola e pulses, mas também é importador relevante de proteínas, frutas, café e produtos tropicais, nichos onde o Brasil é competitivo.

Segundo dados do Ministério da Agricultura e da Conab, o agronegócio responde por cerca de quarto a um terço do PIB brasileiro e mais de 40% das exportações em alguns anos, o que reforça a importância de acordos que reduzam barreiras. A abertura de mercados é apontada pela Embrapa e pelo MAPA como alavanca central para manter o crescimento da produção sem derrubar preços internos.

Hoje, o Brasil já exporta para o Canadá itens como café, açúcar, suco de laranja, carnes e celulose, mas ainda enfrenta tarifas, barreiras sanitárias e exigências regulatórias. Um acordo Mercosul–Canadá tende a organizar regras, ampliar previsibilidade e dar mais segurança jurídica para contratos de longo prazo.

A combinação de acordos com Canadá, União Europeia e países da Ásia é vista por analistas como peça-chave para reduzir a dependência do mercado chinês, hoje principal destino de soja, carne bovina e outros produtos brasileiros.

O que observar daqui pra frente

O ponto decisivo será a etapa de acesso a mercados, quando serão tratadas tarifas sobre carne bovina, suína, de frango, açúcar, etanol, grãos e produtos industrializados. Produtores devem acompanhar possíveis exigências adicionais em sanidade, bem-estar animal e meio ambiente, que podem virar barreiras não tarifárias. Ao mesmo tempo, há oportunidade de o Brasil negociar melhor reconhecimento de seus sistemas de inspeção, harmonização de regras e facilitação logística, abrindo espaço para agregar valor na exportação e firmar contratos de longo prazo com o mercado canadense.

Fontes

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