Mercado

Açúcar sobe 28,8% em um ano com impacto das chuvas no Brasil

Preço internacional do açúcar avançou 28,8% em 12 meses, enquanto o índice global de alimentos da FAO recuou 1,2% em outubro.

07 de novembro de 2026 3 min de leitura
Açúcar sobe 28,8% em um ano com impacto das chuvas no Brasil

O preço internacional do açúcar avançou 28,8% em outubro, na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). No mês, a commodity subiu 6,6%, enquanto o índice global de alimentos recuou 1,2%.

O que aconteceu

A alta do açúcar foi a quarta consecutiva e levou os preços ao maior nível desde dezembro de 2024. O principal fator foi a interrupção da colheita e da moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, provocada pelo excesso de chuvas.

A região concentra a maior parte da produção brasileira e influencia diretamente a oferta global. Com menor fluxo de cana para as usinas, o mercado passou a precificar uma disponibilidade mais restrita de açúcar no curto prazo.

Também aumentaram as preocupações com as safras 2026/27 da Índia, da União Europeia e da Tailândia. Esses países estão entre os principais produtores e exportadores mundiais, e eventuais perdas podem ampliar a pressão sobre as cotações.

Imagem

Por que importa para o agro

Para as usinas brasileiras, preços internacionais mais altos podem melhorar a receita da exportação e elevar a margem do açúcar. O efeito, porém, depende do volume disponível, do câmbio, da produtividade dos canaviais e da decisão entre direcionar a matéria-prima para açúcar ou etanol.

Na cadeia sucroenergética, a menor moagem pode reduzir a oferta imediata e aumentar a volatilidade. Produtores, tradings e indústrias consumidoras precisam acompanhar o ritmo da colheita, os estoques e a demanda externa antes de definir contratos e estratégias de comercialização.

Dados e contexto

  • Alta anual do açúcar: 28,8% em outubro.
  • Variação mensal: avanço de 6,6% ante setembro.
  • Sequência de alta: quarta elevação mensal consecutiva.
  • Índice FAO de alimentos: 133,9 pontos em outubro, queda de 1,2% no mês.
  • Comparação anual do índice: alta de 5,9% ante outubro de 2025.
  • Países sob monitoramento: Brasil, Índia, União Europeia e Tailândia.
O movimento do açúcar contrasta com o resultado agregado dos alimentos. O índice da FAO reúne commodities agrícolas comercializadas internacionalmente e pode cair mesmo quando produtos específicos registram forte valorização.

A diferença mostra que o mercado está reagindo a fatores próprios de cada cadeia. No açúcar, o clima e o andamento da moagem pesaram mais do que a tendência geral de queda observada no indicador global.

O que observar daqui para frente

O mercado deve acompanhar a regularização das operações no Centro-Sul brasileiro, as estimativas de produção da safra 2026/27 e o comportamento do consumo mundial. Novas chuvas podem sustentar os preços, enquanto uma recuperação rápida da moagem ou melhora nas perspectivas da Índia, da União Europeia e da Tailândia pode limitar a alta.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo