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ADM mira biocombustíveis para ampliar valor agregado no Brasil

Multinacional quer expandir processamento de soja e milho no Brasil, com foco em biodiesel, etanol e novas oportunidades em bioenergia.

15 de outubro de 2026 4 min de leitura
ADM mira biocombustíveis para ampliar valor agregado no Brasil

A ADM pretende reforçar sua atuação em biocombustíveis no Brasil, com investimentos e possíveis parcerias em processamento de soja e milho. A estratégia busca transformar a força agrícola do país em produtos de maior valor agregado, como biodiesel, etanol, óleo, farelo e derivados industriais.

O que aconteceu

Em entrevista ao AgFeed, John Grossmann, presidente de Serviços Agrícolas e Oleaginosas da ADM para a América do Sul, afirmou que a companhia vê oportunidades de crescimento no biodiesel e no etanol de milho. A empresa também considera ampliar unidades existentes e avaliar aquisições ou novas parcerias industriais.

A ADM já opera plantas de biodiesel em Rondonópolis (MT) e Joaçaba (SC), com capacidade conjunta de aproximadamente 670 mil metros cúbicos por ano, segundo levantamento publicado pelo Valor. A companhia também atua no processamento de milho para etanol e mantém uma ampla rede de originação, armazenagem e transporte de grãos.

O plano faz parte de uma estratégia global para aumentar a participação de negócios com maior margem. No Brasil, a empresa considera que a disponibilidade de soja, milho e resíduos agrícolas cria condições para integrar produção de alimentos, nutrição animal, combustíveis e energia renovável.

Por que importa para o agro

A expansão do biodiesel aumenta a demanda por óleo de soja, principal matéria-prima utilizada pela indústria brasileira. Para o produtor, isso pode fortalecer o mercado interno da oleaginosa e ampliar a importância econômica do esmagamento, além da exportação do grão in natura.

O avanço do etanol de milho também cria mercado para o cereal após a colheita e gera coprodutos, como o DDG, utilizado na alimentação animal. Essa integração aproxima lavouras, usinas, confinamentos e indústrias de proteína, especialmente em regiões produtoras do Centro-Oeste.

Para a ADM, o ganho está na integração da cadeia. A empresa pode capturar valor desde a compra dos grãos até a fabricação de combustíveis, farelo, óleo e ingredientes. Para o setor, a entrada de capital industrial tende a ampliar a capacidade de processamento e a disputa por matéria-prima.

Dados e contexto

  • A ADM ampliou em cerca de 400 mil toneladas sua capacidade brasileira de processamento de soja em 2025, considerando unidades em Campo Grande (MS), Porto Franco (MA) e Uberlândia (MG).
  • A planta de biodiesel de Rondonópolis foi projetada com capacidade anual de 180 mil toneladas de biodiesel a partir de óleo de soja.
  • A unidade de Joaçaba, em Santa Catarina, foi anunciada com capacidade de 164 mil toneladas anuais.
  • A companhia avalia o crescimento orgânico, com expansão de plantas, e operações de fusões e aquisições.
  • O mercado depende de previsibilidade regulatória para misturas obrigatórias, crédito, logística e preços de soja, milho e derivados.
O biodiesel brasileiro é produzido principalmente a partir de óleo de soja, sebo bovino e outras matérias-primas. Já o etanol de milho ganhou espaço no Centro-Oeste por permitir produção durante todo o ano e aproveitar estruturas próximas às áreas de cultivo.

O que observar daqui pra frente

O principal ponto será a conversão do interesse da ADM em novos investimentos, ampliações ou aquisições. A evolução das regras de mistura de biocombustíveis, a disponibilidade de grãos, os custos logísticos e as margens industriais devem definir o ritmo. Produtores e cooperativas precisam acompanhar contratos, prêmios regionais e novas plantas para identificar oportunidades de venda e integração.

Fontes

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