Sustentabilidade

ADM reduz emissões no esmagamento de soja com energia eólica

Contrato de energia eólica abastece sete unidades da ADM no Brasil e evita cerca de 19 mil toneladas de CO₂ por ano.

23 de setembro de 2026 4 min de leitura
ADM reduz emissões no esmagamento de soja com energia eólica

A ADM passou a usar energia eólica em sete unidades industriais no Brasil, incluindo plantas de esmagamento e processamento de soja. A iniciativa deve evitar cerca de 19 mil toneladas de CO₂ por ano e reduzir custos operacionais ao longo do contrato. O movimento amplia o uso de fontes renováveis na indústria de alimentos e biocombustíveis.

O que aconteceu

A companhia firmou um acordo de autoprodução de energia com a Casa dos Ventos. O contrato inclui eletricidade gerada pelo Complexo Eólico Babilônia Sul, na Bahia, e tem duração inicial de 15 anos.

A energia será direcionada a unidades da ADM em cinco estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais, além de uma operação no Maranhão. As plantas atendidas incluem instalações ligadas ao processamento de soja, produção de biodiesel e outros produtos agrícolas.

O acordo faz parte do programa ambiental Strive 35, que prevê, até 2035, redução absoluta de 25% nas emissões de gases de efeito estufa, corte de 15% na intensidade do consumo de energia e redução de 10% na intensidade do uso de água. A empresa também estabeleceu a meta de desviar 90% dos resíduos dos aterros.

Por que importa para o agro

O esmagamento de soja consome energia em etapas como recebimento, secagem, extração de óleo, refino e produção de farelo. Ao substituir parte da eletricidade convencional por geração eólica, a indústria reduz as emissões associadas ao processamento da matéria-prima.

A mudança também pode aumentar a competitividade da soja brasileira em mercados que exigem rastreabilidade e menor intensidade de carbono. Para produtores e cooperativas, isso cria espaço para diferenciar lotes quando a indústria consegue conectar a origem do grão às práticas ambientais e ao processamento de menor emissão.

A iniciativa não elimina outros componentes da pegada de carbono da soja, como uso de fertilizantes, mudanças no uso da terra, transporte e consumo de diesel. O impacto precisa ser medido em toda a cadeia, com metodologias consistentes e dados verificáveis.

Dados e contexto

  • 19 mil toneladas de CO₂ por ano: redução estimada com o fornecimento de energia eólica às unidades da ADM.
  • Sete plantas industriais: operações atendidas pelo contrato em diferentes regiões brasileiras.
  • 15 anos: prazo inicial do acordo de autoprodução de energia.
  • US$ 18 milhões: economia estimada pela Casa dos Ventos ao longo do contrato.
  • 50% menos emissões na lavoura: resultado divulgado pela ADM em áreas de soja monitoradas em programa de agricultura regenerativa, em comparação com o parâmetro de referência utilizado no mercado.
A produção agrícola também avança na mensuração da pegada de carbono. Em projetos com participação da ADM, Embrapa e Bayer, calculadoras e dados primários são usados para estimar emissões por tonelada de grão. Esse tipo de informação pode apoiar contratos com prêmio, programas de agricultura regenerativa e mecanismos de financiamento climático.

O que observar daqui para frente

O principal ponto será verificar se a redução industrial será incorporada aos contratos de compra de soja e convertida em valor para o produtor. Também será necessário acompanhar a expansão para outras unidades, a comprovação dos resultados e a integração entre energia renovável, rastreabilidade, manejo de solo e redução de emissões na fazenda. Sem métricas auditáveis, o benefício ambiental perde força comercial.

Fontes

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