Agricultura regenerativa busca elevar produtividade e lucro na cana
Produtora paulista aposta em práticas regenerativas para recuperar o solo, aumentar a produtividade dos canaviais e melhorar a rentabilidade.

A Beggio Lorenzo, companhia agrícola do interior de São Paulo, está usando práticas regenerativas para transformar conservação do solo em ganho de produtividade e rentabilidade. A empresa cultiva cerca de 300 hectares e aposta na melhoria da estrutura e da fertilidade do solo para fortalecer os canaviais.
O que aconteceu
A estratégia combina manejo conservacionista, cobertura do solo e maior atenção aos processos biológicos da área. O objetivo é reduzir a dependência de insumos, proteger o solo contra erosão e criar condições mais estáveis para o desenvolvimento da cana.
A proposta parte de uma lógica simples: solo mais equilibrado tende a sustentar melhor as plantas, especialmente em períodos de estresse climático. Para a empresa, a agricultura regenerativa deixou de ser apenas uma agenda ambiental e passou a integrar a gestão econômica da lavoura.
A recuperação do solo também pode melhorar o aproveitamento de água e nutrientes. Em uma cultura perene, cultivada por vários ciclos, esses efeitos influenciam diretamente o custo de produção e a longevidade do canavial.
Por que importa para o agro
A cana enfrenta pressão simultânea de clima irregular, aumento de custos e necessidade de elevar a produtividade por hectare. Nesse cenário, práticas regenerativas podem funcionar como ferramenta de eficiência, desde que sejam adaptadas à realidade de cada propriedade.
Para o produtor, o ganho potencial está na combinação entre menor degradação do solo, maior estabilidade produtiva e redução de perdas. A adoção exige planejamento, acompanhamento técnico e avaliação de retorno. Nem toda prática apresenta resultado imediato, e o desempenho depende do tipo de solo, do regime de chuvas e do sistema de produção.
A abordagem também amplia as possibilidades de diferenciação da cadeia. Usinas, tradings e compradores podem valorizar matérias-primas associadas à conservação ambiental, à redução de emissões e à rastreabilidade. Esses critérios, porém, precisam ser acompanhados por indicadores verificáveis.
Dados e contexto
- A Beggio Lorenzo cultiva aproximadamente 300 hectares no interior paulista.
- A agricultura regenerativa busca recuperar atributos físicos, químicos e biológicos do solo.
- Na cana, a qualidade do solo influencia brotação, perfilhamento, disponibilidade de água e longevidade do canavial.
- A Embrapa aponta que práticas como cobertura permanente, rotação ou diversificação de culturas e redução do revolvimento contribuem para a conservação do solo e da água.
- A Conab acompanha a produtividade e a produção brasileiras de cana, indicadores essenciais para medir se melhorias de manejo se convertem em resultado econômico.
O que observar daqui para frente
A principal oportunidade está em transformar a recuperação do solo em vantagem operacional e comercial. O risco é tratar o conceito como solução única, sem dados de campo ou planejamento financeiro. A expansão desse modelo dependerá da comprovação de produtividade, da redução de custos e da existência de compradores dispostos a remunerar atributos ambientais.
Fontes
- AgFeed — Na Beggio Lorenzo, agricultura regenerativa vem para destravar a produtividade da cana-de-açúcar
- Embrapa — Agricultura e conservação do solo
- Conab — Acompanhamento da safra brasileira de cana-de-açúcar
- agfeed.com.br
- cnnbrasil.com.br
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