Sustentabilidade

Seca deixa rebanhos sem alimento e corta renda de famílias em Sergipe

Estiagem atinge 11 municípios, reduz a produção de leite, mata animais e força produtores a vender o rebanho para sobreviver.

01 de novembro de 2026 3 min de leitura
Seca deixa rebanhos sem alimento e corta renda de famílias em Sergipe

A estiagem prolongada colocou 11 municípios de Sergipe em situação de emergência e comprometeu lavouras, rebanhos e a renda de famílias rurais. Sem pasto e água, animais perderam peso, a produção de leite caiu e parte do gado morreu ou foi vendida a preços baixos.

O que aconteceu

No Alto Sertão sergipano, a falta de chuva destruiu plantações usadas na alimentação dos animais. Em Poço Redondo, o produtor Cleiton Feitosa perdeu a lavoura de milho e vendeu 16 das 20 vacas que mantinha para evitar novas mortes no rebanho.

A situação também atingiu Genildo dos Santos, que precisou vender todas as 26 vacas de leite da propriedade. O rebanho era a principal fonte de sustento da família, que passou a depender de benefício social.

A escassez de forragem elevou o custo da ração e reduziu a produtividade. José Valmir relatou que a produção diária caiu de 60 a 70 litros para cerca de 32 litros. A palma é o principal alimento disponível, mas o estoque deve durar aproximadamente um mês.

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Por que importa para o agro

A pecuária leiteira sofre impacto imediato quando falta água e alimento. O animal emagrece, produz menos leite e fica mais vulnerável a doenças e à morte. Para o produtor, a venda emergencial do rebanho reduz o patrimônio e pode interromper a atividade por vários anos.

O problema também alcança a cadeia regional. Menor produção na fazenda reduz a oferta para laticínios, transporte e comércio local. Quando muitos criadores vendem animais ao mesmo tempo, a pressão sobre os preços aumenta e dificulta a recomposição dos rebanhos após o retorno das chuvas.

Dados e contexto

  • 11 municípios de Sergipe foram colocados em situação de emergência, segundo informações divulgadas pelo governo estadual.
  • Mais de 73,1 mil pessoas já haviam sido diretamente afetadas pela seca no estado no início de outubro de 2026.
  • O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) identificou, em julho, sete municípios sergipanos com condição de seca extrema e 48 com seca severa.
  • A Conab projetou redução de 35% na produtividade de grãos em Sergipe, refletindo os efeitos da irregularidade das chuvas.
  • O governo estadual informou ações para ampliar o acesso à água, distribuir suporte forrageiro e adquirir silagem de milho e sorgo.
  • O plano estadual de contingência prevê a distribuição mensal de 6.200 cestas de alimentos entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027.

O que observar daqui para frente

A duração da estiagem será decisiva para o tamanho das perdas. Produtores devem acompanhar os programas de abastecimento de água, compra de forragem e assistência emergencial, além de priorizar a preservação dos animais mais produtivos. A recuperação dependerá de chuvas regulares, recomposição das pastagens e crédito para reconstruir os rebanhos.

Fontes

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