Sustentabilidade

Café libérica raro é identificado em quintais do Pará

Pesquisa da Embrapa identifica Coffea liberica em propriedades familiares do Pará e avalia seu potencial produtivo e comercial.

31 de outubro de 2026 4 min de leitura
Café libérica raro é identificado em quintais do Pará

Uma espécie rara de café foi identificada em propriedades familiares do nordeste do Pará. Conhecida como café beirão, a Coffea liberica tem frutos grandes, árvores que podem alcançar 11 metros e participação estimada em apenas 0,01% da produção mundial. A Embrapa pesquisa a origem das plantas e as possibilidades de cultivo comercial no Brasil.

O que aconteceu

O levantamento encontrou exemplares da espécie em quintais produtivos mantidos por famílias rurais há gerações. O maior cafeeiro identificado está no município de Irituia, onde uma árvore chega a 11 metros de altura e apresenta tronco com até 60 centímetros de diâmetro.

A pesquisa analisou 57 exemplares em oito propriedades de Irituia, São Domingos do Capim, Ourém, Capitão Poço e São Miguel do Guamá. Desse total, 48 amostras férteis foram incorporadas ao Herbário IAN, da Embrapa Amazônia Oriental, para preservação e estudos futuros.

A hipótese dos pesquisadores é que as plantas possam ter relação com mudas introduzidas na região durante a expedição de Francisco Palheta, há quase 300 anos. A identificação da espécie, porém, ainda não comprova que os exemplares sejam descendentes diretos dos primeiros cafeeiros trazidos ao Brasil.

Imagem

Por que importa para o agro

O café libérica amplia a diversidade genética disponível para a cafeicultura amazônica. A espécie apresenta maior resistência à ferrugem e características sensoriais diferentes das variedades mais cultivadas, com bebida descrita como mais frutada e com notas herbais semelhantes às de chá-verde.

Para o produtor, o principal potencial está em mercados de nicho, cafés especiais e produtos associados à biodiversidade amazônica. A espécie ainda não é cultivada comercialmente no Brasil, portanto qualquer expansão dependerá de validação agronômica, seleção de materiais e definição de padrões de qualidade.

Também existem limitações práticas. O porte elevado dificulta a colheita manual e exige poda para reduzir a altura das plantas. O processamento dos frutos, que têm casca grossa e tamanho maior, ainda precisa ser ajustado para garantir rendimento e qualidade constantes.

Dados e contexto

IndicadorInformação
EspécieCoffea liberica
Nome regionalCafé beirão
Participação globalCerca de 0,01% da produção mundial
Altura observadaAté 11 metros
Área do levantamentoCinco municípios do Pará
Amostras analisadas57 exemplares
Amostras incorporadas ao herbário48 férteis

A Coffea liberica é produzida em pequena escala em países como Indonésia, Filipinas, Malásia, Libéria e Costa do Marfim. No Brasil, a cafeicultura amazônica é dominada principalmente por materiais de Coffea canephora, como conilon e robusta, segundo informações da Embrapa.

A pesquisa conta com apoio da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e envolve a Embrapa e instituições parceiras. O trabalho também preserva conhecimentos mantidos por agricultores familiares e pode contribuir para a conservação de recursos genéticos regionais.

O que observar daqui para a frente

Os próximos passos devem medir produtividade, adaptação, qualidade da bebida, resposta à poda e viabilidade do processamento. A oportunidade está na criação de uma cadeia de valor diferenciada, mas a espécie não deve ser tratada como substituta imediata do arábica ou do robusta. A expansão precisa ocorrer com material selecionado, assistência técnica e proteção das plantas mantidas pelas comunidades.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo