Sustentabilidade

Pnuma pede corte de 18% nas emissões globais até 2030

Relatório do Pnuma aponta que as emissões globais precisam cair 18% até 2030, ampliando a pressão por mudanças na produção e no consumo.

02 de novembro de 2026 3 min de leitura
Pnuma pede corte de 18% nas emissões globais até 2030

As emissões globais de gases de efeito estufa precisam cair 18% até 2030, na comparação com os níveis de 2025, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). A meta faz parte do relatório Emissions Gap Report 2026: O Ponto de Retorno e aumenta a pressão sobre governos, empresas e cadeias produtivas.

O que aconteceu

O relatório também indica reduções de 45% até 2035 e de 69% até 2040, sempre em relação às emissões de 2025. O objetivo é limitar o aquecimento global e criar uma trajetória de retorno ao limite de 1,5 °C até o fim do século.

A avaliação mostra que os compromissos atuais dos países ainda não são suficientes. Para fechar essa lacuna, será necessário acelerar a adoção de energias de menor emissão, reduzir o desmatamento e melhorar a eficiência em setores como transporte, indústria e agropecuária.

O documento reforça que a velocidade das mudanças será decisiva. Cortes adiados para depois de 2030 exigirão medidas mais caras e profundas nas décadas seguintes.

Por que importa para o agro

A agropecuária será afetada por novas exigências de rastreabilidade, comprovação ambiental e redução da intensidade de carbono. Exportadores podem enfrentar maior cobrança de compradores, governos e instituições financeiras, principalmente em mercados que adotam regras ambientais para produtos agrícolas.

Para o produtor, o cenário também cria oportunidades. Recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto, fixação biológica de nitrogênio e tratamento de resíduos podem reduzir emissões e elevar a eficiência do sistema.

A Embrapa aponta que tecnologias de baixa emissão podem combinar aumento de produtividade com sequestro de carbono no solo. A comprovação dos resultados, porém, dependerá de sistemas confiáveis de medição, relato e verificação.

Dados e contexto

  • 18%: redução necessária nas emissões globais até 2030, frente a 2025.
  • 45%: corte indicado para 2035.
  • 69%: redução projetada para 2040.
  • Plano ABC: política brasileira voltada à mitigação e à adaptação da agropecuária às mudanças climáticas.
  • Tecnologias prioritárias: recuperação de pastagens degradadas, sistemas integrados, plantio direto, fixação biológica de nitrogênio, silvicultura e manejo de resíduos animais.
No Brasil, agricultura e pecuária têm relação direta com o debate climático. Além das emissões próprias da produção, mudanças no uso da terra e desmatamento influenciam fortemente o balanço nacional. Por isso, a redução de emissões no campo depende tanto de tecnologia produtiva quanto de controle ambiental.

A Embrapa também trabalha com pesquisas para medir carbono no solo e avaliar sistemas integrados de produção. Esses dados podem apoiar políticas públicas, crédito rural diferenciado e acesso a mercados que remunerem desempenho ambiental.

O que observar daqui pra frente

O avanço das metas climáticas deve aumentar a demanda por dados sobre origem, manejo e emissões dos produtos agropecuários. Produtores e empresas que organizarem registros, adotarem tecnologias eficientes e comprovarem resultados poderão reduzir riscos comerciais e acessar novas fontes de crédito. O principal desafio será transformar metas globais em assistência técnica, financiamento e medição acessíveis no campo.

Fontes

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