Sustentabilidade

Agro brasileiro pode faturar até R$ 35 bilhões com créditos de carbono tipo exportação

Estudo aponta que o Brasil pode virar grande exportador de créditos de carbono até 2035, abrindo nova frente de receita para o agronegócio.

06 de agosto de 2026 5 min de leitura
Agro brasileiro pode faturar até R$ 35 bilhões com créditos de carbono tipo exportação

Um estudo sobre o mercado de carbono ligado ao Acordo de Paris indica que o Brasil pode movimentar até R$ 35 bilhões em dez anos com créditos de carbono autorizados para exportação, os chamados ITMOs (Internationally Transferred Mitigation Outcomes). A projeção reforça o papel estratégico do país na nova economia verde e abre uma frente relevante de receita para projetos agropecuários de baixa emissão e agricultura regenerativa.

O que aconteceu

O governo federal colocou em consulta pública uma proposta de resolução para regulamentar os créditos de carbono que poderão ser exportados dentro das regras do Artigo 6 do Acordo de Paris.[15] Esses créditos, os ITMOs, só podem ser transferidos se tiverem autorização oficial do país, com regras claras de contabilização das reduções de emissões.[15]

Segundo estimativas apresentadas pela Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, se o Brasil reduzir 100 milhões de toneladas de CO₂ em um período de cinco anos, usando uma parcela disso para exportação a preços na faixa de US$ 20 por tonelada, o país pode atrair investimentos da ordem de R$ 35 bilhões em projetos de descarbonização até 2035.[15]

O estudo dialoga com análises anteriores da ICC Brasil e WayCarbon, que apontam que o Brasil pode atender até metade da demanda global do mercado voluntário de carbono e gerar entre US$ 100 bilhões e US$ 120 bilhões em receitas até 2030, com forte participação do agro e da energia.[1][10]

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Por que importa para o agro

O desenho desses créditos de exportação cria uma vitrine internacional para projetos rurais que comprovem redução ou remoção de emissões, como integração lavoura-pecuária-floresta, manejo de pastagens, reflorestamento e agricultura regenerativa.[11][19] Para o produtor, isso significa transformar práticas já adotadas – como plantio direto, rotação de culturas e aumento de matéria orgânica no solo – em uma nova fonte de receita recorrente.

Com o avanço do mercado regulado e dos mecanismos de exportação, empresas e investidores estrangeiros tendem a buscar projetos com rastreabilidade e certificação robusta. Isso favorece grupos organizados, cooperativas e fazendas com gestão profissional, que conseguem estruturar projetos, contratar auditorias e registrar créditos em padrões internacionais como Verra e Gold Standard.[19] Quem se posicionar agora pode capturar preços melhores e contratos de longo prazo.

Dados e contexto

Um crédito de carbono representa a redução ou remoção de 1 tonelada de CO₂ equivalente da atmosfera.[11] No agro, esses créditos podem ser gerados por diferentes tipos de projetos:

Tipo de projetoCréditos/ha/ano (estimativa)Receita potencial/ha/ano (R$)

| Floresta em pé (REDD+) | 5 a 10 | 250 a 1.000 | | Reflorestamento | 8 a 15 | 400 a 1.500 | | ILPF / agricultura de baixo carbono| 1 a 4 | 50 a 400 | | Pastagens bem manejadas | 1 a 3 | 50 a 300 |

Hoje, o valor de um crédito de carbono varia em geral entre US$ 10 e US$ 30 (cerca de R$ 50 a R$ 150), a depender do tipo de projeto e certificação.[19] Em cenários de exportação, estudos apontam preços de referência em torno de US$ 20 por tonelada para estimar o potencial de investimentos em projetos brasileiros.[15]

Um relatório da ICC Brasil e WayCarbon indica que, até 2030, o Brasil poderia cobrir até 48,7% da demanda global do mercado voluntário de créditos de carbono, gerando entre US$ 100 bilhões e US$ 120 bilhões em receitas, com o agro entre os principais beneficiados.[1][10] Já estudo da PwC projeta que, com um mercado regulado maduro, o país poderia movimentar cerca de R$ 1 trilhão e criar até 3 milhões de empregos, incluindo atividades ligadas ao campo.[6][13]

O que observar daqui pra frente

Para o produtor rural, o ponto-chave será acompanhar a regulamentação dos ITMOs, a implementação plena do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e os requisitos para participação de projetos agropecuários.[5][6][15] Quem investir em mensuração de emissões, gestão de dados e certificação poderá acessar o mercado internacional de créditos de carbono e capturar parte dos R$ 35 bilhões estimados para a próxima década. O risco é ficar fora do jogo por falta de organização técnica e jurídica, enquanto concorrentes globais avançam em escala.

Fontes

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