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Agro cobra prioridades do próximo presidente para crédito, seguro e segurança jurídica

Entidades do agronegócio apresentam uma agenda clara ao próximo presidente, centrada em crédito rural, seguro, segurança jurídica e competitividade.

21 de agosto de 2026 4 min de leitura
Agro cobra prioridades do próximo presidente para crédito, seguro e segurança jurídica

Entidades do agronegócio firmaram uma pauta conjunta para apresentar ao próximo presidente da República, com foco em crédito rural, seguro agrícola, segurança jurídica e ambiente regulatório mais simples. A agenda busca garantir competitividade ao produtor brasileiro frente a concorrentes como Estados Unidos e União Europeia, que operam com forte apoio estatal e melhor infraestrutura.

O que aconteceu

Organizações do agro consolidaram um documento com demandas consideradas urgentes para o novo governo. O eixo central é a reestruturação das políticas de crédito rural, com juros compatíveis à renda do produtor, menos burocracia e maior previsibilidade nos recursos do Plano Safra.

Outro ponto é a ampliação do seguro rural. Hoje, menos de 4% da área agrícola está coberta, expondo produtores a perdas financeiras severas em eventos climáticos extremos. A proposta inclui aumentar recursos orçamentários, fortalecer fundos garantidores e tornar o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural mais acessível.

As entidades também defendem segurança jurídica na questão fundiária, com aceleração da regularização de terras e ajustes no Cadastro Ambiental Rural (CAR). A pauta inclui estabilidade regulatória, revisão de projetos de lei sensíveis ao setor e redução de insegurança em temas como uso de insumos e defesa agropecuária.

Por que importa para o agro

Para o produtor, essas medidas significam acesso mais estável a financiamento, proteção contra perdas e regras mais claras para investir em tecnologia, armazenagem e expansão da produção. Sem crédito adequado e seguro funcional, o risco sobe, o custo de capital aumenta e muitos projetos são adiados.

Na visão das entidades, o Brasil só conseguirá manter e ampliar participação em mercados globais se combinar produtividade alta com estabilidade econômica no campo. Países como EUA e membros da UE trabalham com políticas agrícolas plurianuais, subsídios ao seguro e forte investimento em logística. O agro brasileiro pede, no mínimo, condições equivalentes de financiamento, seguro e infraestrutura.

Dados e contexto

Em linhas gerais, a agenda das entidades se organiza em alguns blocos principais:

EixoPrincipais demandas
**Crédito rural**Reestruturação das linhas oficiais, juros alinhados à renda, menos burocracia, expansão de fundos garantidores
**Seguro rural**Aumento da área coberta (hoje cerca de **4%**), mais recursos ao programa de subvenção, estímulo a seguros privados
**Segurança jurídica e fundiária**Regularização de terras, avanço no CAR, estabilidade em normas ambientais e de insumos
**Logística e infraestrutura**Investimentos em armazenagem, ferrovias, rodovias e portos para reduzir custos e perdas pós-colheita
**Defesa agropecuária**Fortalecimento de vigilância sanitária, estrutura do MAPA e resposta rápida a doenças de plantas e animais

Dados recentes da Conab mostram o Brasil colhendo safras recordes de grãos, com produção superior a 300 milhões de toneladas, enquanto o IBGE registra aumento na participação do agro no PIB em ciclos de boa safra. Em paralelo, a Embrapa segue comprovando ganhos de produtividade por hectare graças ao avanço tecnológico.

Apesar disso, estudos da CNA e de entidades setoriais apontam queda na rentabilidade de diversos segmentos, pressionados por custos de insumos, frete e oscilações de preços. Sem seguros robustos e crédito de longo prazo, essa volatilidade se traduz em mais endividamento e redução da capacidade de investimento.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas do agro devem acompanhar de perto o compromisso dos candidatos com uma política agrícola de Estado, não apenas de governo, incluindo metas claras para crédito, seguro rural, infraestrutura e segurança jurídica. A atenção deve se voltar para propostas de ampliação do orçamento do Plano Safra, avanços em fundos garantidores, regulação do CAR e investimentos em logística, pontos que podem definir o ritmo de expansão, a rentabilidade e a resiliência do campo brasileiro nos próximos anos.

Fontes

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