Agro defende equilíbrio comercial entre China e Estados Unidos
Setor de proteína animal pede pragmatismo nas relações com China e Estados Unidos para proteger exportações, investimentos e competitividade do agro brasileiro.
O agronegócio brasileiro defende uma política externa equilibrada entre China e Estados Unidos após a eleição presidencial. A avaliação do setor é que decisões políticas não devem comprometer mercados, investimentos e infraestrutura essenciais às exportações. O alerta ganha força porque a China é o principal destino dos produtos agropecuários brasileiros.
O que aconteceu
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que uma aproximação maior com Washington não pode resultar no afastamento de Pequim. A China acompanha com cautela o cenário político brasileiro e avalia como serão tratados seus investimentos na América Latina, especialmente em portos, ferrovias e outras estruturas ligadas ao comércio exterior.
A posição também é defendida pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O presidente da entidade afirmou que o frango não tem partido ou ideologia e que a cadeia trabalha para atender o mercado brasileiro e compradores de cerca de 170 países. Para o setor, o comércio precisa ser conduzido por critérios econômicos, não por alinhamentos eleitorais.
Por que importa para o agro
A China lidera as compras de produtos agropecuários do Brasil, seguida pela União Europeia e pelos Estados Unidos, segundo o Ministério da Agricultura. Qualquer deterioração diplomática pode afetar habilitações sanitárias, tarifas, logística e ritmo de embarques de carnes, soja, milho e outros produtos.
Os investimentos chineses em portos e ferrovias também têm efeito direto sobre a competitividade. A ampliação da infraestrutura ajuda a reduzir gargalos, melhorar o escoamento da produção e diminuir custos para exportadores e produtores. Ao mesmo tempo, manter acesso ao mercado norte-americano amplia a diversificação comercial e reduz a dependência de um único comprador.
Dados e contexto
- A China respondeu por US$ 6,3 bilhões, ou 39,2% das vendas externas do agronegócio brasileiro em maio de 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura.
- As exportações brasileiras de carne de frango somaram 2,936 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, alta de 13% sobre o mesmo período de 2025, conforme a ABPA.
- A receita com os embarques de frango alcançou US$ 5,7 bilhões no semestre, crescimento de 17% na comparação anual.
- A Conab estima que as exportações brasileiras de carnes alcancem 5,34 milhões de toneladas em 2026, com avanço de 3,6%.
- Projeções do USDA indicam que as exportações chinesas de frango podem chegar a 1,4 milhão de toneladas em 2026, tornando o país um concorrente mais relevante para Brasil e Estados Unidos.
O que observar daqui pra frente
O setor deve acompanhar decisões do novo governo sobre relações diplomáticas, tarifas, acordos sanitários e investimentos estrangeiros. Também será necessário monitorar o avanço da produção chinesa de frango e eventuais barreiras comerciais nos Estados Unidos. A estratégia mais segura para o agro é ampliar mercados, preservar canais com as duas potências e evitar que disputas políticas atinjam contratos e fluxos de exportação.
Fontes
- G1 — “Frango não tem partido”: agro defende equilíbrio após eleição
- Conab — Produção brasileira de carnes deve alcançar 33,38 milhões de toneladas em 2026
- ABPA — Associação Brasileira de Proteína Animal
- USDA — Foreign Agricultural Service
- static.poder360.com.br
- exame.com
- cnnbrasil.com.br
- valor.globo.com
- gazetadopovo.com.br
- agrimidia.com.br
- cms.santander.com.br
- agrimidia.com.br
- noticiasagricolas.com.br
- cnabrasil.org.br
- gov.br
- cnnbrasil.com.br
- valor.globo.com
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