Sustentabilidade

Agro investe em captura de carbono enquanto governo amplia emissões

Práticas agrícolas de baixa emissão avançam, mas dependem de crédito, assistência técnica e regras confiáveis para gerar resultados.

08 de novembro de 2026 4 min de leitura
Agro investe em captura de carbono enquanto governo amplia emissões

O campo amplia práticas capazes de retirar carbono da atmosfera e armazená-lo no solo, mas enfrenta um cenário contraditório com a expansão de atividades ligadas aos combustíveis fósseis. A recuperação de pastagens, o plantio direto e a integração entre lavoura, pecuária e floresta reduzem emissões e podem melhorar a produtividade. Para avançar, o produtor precisa de crédito, assistência técnica e regras claras para medir os resultados.

O que aconteceu

A agricultura brasileira tem adotado sistemas de manejo que aumentam o estoque de carbono no solo. Entre as principais alternativas estão a recuperação de áreas degradadas, a manutenção de cobertura vegetal, a rotação de culturas e a integração lavoura-pecuária-floresta.

Essas práticas não funcionam apenas como medidas ambientais. Elas ajudam a conservar a umidade, reduzir a erosão, melhorar a estrutura do solo e aumentar a eficiência do uso de insumos. O benefício econômico, porém, depende do acesso a tecnologia e de condições financeiras compatíveis com o ciclo de cada atividade.

Ao mesmo tempo, políticas de expansão da produção e do uso de petróleo colocam mais carbono na atmosfera. A queima de combustíveis fósseis libera o carbono armazenado no subsolo, enquanto a produção rural tenta capturar parte das emissões por meio do manejo dos recursos naturais.

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Por que importa para o agro

A captura de carbono pode se transformar em vantagem comercial para produtores que comprovarem redução de emissões e aumento do estoque de matéria orgânica. A rastreabilidade tende a ganhar peso em cadeias exportadoras, contratos com indústrias e programas de financiamento vinculados a metas ambientais.

O risco está em tratar o crédito de carbono como compensação genérica. A captura precisa ser medida, ter permanência e passar por verificação independente. Sem esses critérios, o produtor pode investir em boas práticas sem receber remuneração adequada, enquanto outros setores usam créditos para justificar novas emissões.

Dados e contexto

  • Estudo conduzido pela Embrapa no âmbito do programa PRO Carbono identificou aumento de até 50% nos estoques de carbono do solo em áreas do Cerrado com práticas sustentáveis, em comparação com áreas nativas.
  • A pesquisa avaliou propriedades comerciais com soja, milho e algodão em sistemas de plantio direto, em diferentes biomas.
  • A tecnologia LIBS, baseada em laser, foi testada para acelerar e reduzir o custo das análises de carbono no solo.
  • O Plano ABC+, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, reúne tecnologias de baixa emissão, como recuperação de pastagens, plantio direto e sistemas integrados.
  • A geração de créditos depende de três fatores: quantidade de carbono capturado, permanência do estoque e verificação dos dados.
O avanço da mensuração é decisivo. Métodos mais rápidos e baratos podem permitir que propriedades de diferentes escalas participem do mercado, desde que existam protocolos padronizados e segurança jurídica.

O que observar daqui pra frente

O produtor deve acompanhar programas de financiamento, exigências de compradores e metodologias de certificação antes de contratar projetos de carbono. A oportunidade está em combinar produtividade com manejo conservacionista, mas o retorno não será automático. Sem assistência técnica, monitoramento e remuneração compatível, a transição pode aumentar custos sem garantir receita adicional.

Fontes

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