Alckmin aposta em acordo para derrubar veto da União Europeia à carne brasileira
Vice-presidente defende padrão sanitário do Brasil e vê espaço para reverter veto provisório da União Europeia às importações de carne bovina.

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o veto provisório da União Europeia (UE) à carne bovina brasileira deve ser solucionado via negociação diplomática. Em evento do setor de grãos em Brasília, ele defendeu o padrão sanitário do país e disse que o Brasil é referência mundial em controle de saúde animal e vegetal.
O que aconteceu
Alckmin falou durante o 4º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), em Brasília. Ele comentou a decisão da União Europeia de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina ao bloco sob as novas regras de combate ao uso excessivo de antimicrobianos na pecuária.
Segundo autoridades europeias, o Brasil não apresentou garantias consideradas suficientes sobre o controle dessas substâncias na produção animal. Com isso, o país ficou fora da lista atualizada de fornecedores que cumprem os requisitos sanitários da UE.
O governo brasileiro reagiu oficialmente, dizendo ter recebido a medida “com surpresa” e reforçando que os controles sanitários adotados aqui são reconhecidos internacionalmente. A decisão europeia tem aplicação provisória desde 1º de maio, com restrições plenas previstas para 3 de setembro, prazo em que o Itamaraty e o Ministério da Agricultura pretendem atuar para tentar reverter o veto.
Por que importa para o agro
A União Europeia é um mercado relevante para a carne bovina brasileira, sobretudo para cortes de maior valor agregado e programas de carne de qualidade. Um veto prolongado reduz receita de exportação, aumenta a oferta interna e pode pressionar preços pagos ao pecuarista, especialmente em regiões que dependem de frigoríficos habilitados para a UE.
O caso também eleva a barra das exigências sanitárias em nível global. Outros compradores podem usar o episódio como referência para apertar regras sobre antimicrobianos, bem-estar animal e rastreabilidade. Isso força adaptações rápidas de produtores, indústrias e serviços de inspeção se o Brasil quiser preservar a imagem de fornecedor confiável.
Dados e contexto
O Brasil é hoje um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, disputando a liderança com países como Estados Unidos e Austrália. Segundo a Conab e o USDA, o país responde por cerca de 20% a 25% das exportações globais do produto, considerando carne in natura e processada.
A União Europeia não é o principal destino em volume, mas é estratégica em valor. Em anos recentes, blocos como China/Hong Kong e Oriente Médio absorveram a maior parte da carne brasileira, enquanto a UE ficou concentrada em nichos premium e em programas com exigências sanitárias e ambientais mais rígidas.
O problema atual gira em torno do uso de antimicrobianos na pecuária, ponto sensível no debate internacional sobre resistência antimicrobiana. A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e a FAO defendem redução do uso não terapêutico desses produtos, algo que países desenvolvidos vêm traduzindo em normas mais duras para importação.
O Brasil, por sua vez, destaca a atuação do Sistema Brasileiro de Inspeção coordenado pelo MAPA, além dos serviços estaduais e municipais, e o histórico de abertura de mercados graças ao controle de doenças como febre aftosa. A Embrapa mantém programas de pesquisa voltados à redução do uso de antibióticos, melhoria de manejo e sanidade de rebanhos.
A seguir, um resumo do cenário:
| Ponto-chave | Situação atual |
|---|
| Mercado afetado | União Europeia (carne bovina brasileira) | | Motivo do veto | Falta de garantias sobre controle de antimicrobianos na pecuária | | Início da vigência provisória | 1º de maio | | Restrição plena prevista | 3 de setembro | | Posição do governo brasileiro | Padrão sanitário é seguro e reconhecido; busca solução diplomática |
O que observar daqui pra frente
Produtores e indústrias devem acompanhar de perto as negociações entre governo brasileiro e União Europeia, além de eventuais ajustes em normas internas sobre uso de antimicrobianos, rastreabilidade e bem-estar animal. Quem exporta ou pretende exportar para mercados mais exigentes precisa antecipar adequações de manejo, registros e controle de insumos, pois a tendência é de regras sanitárias cada vez mais estritas e fiscalizações mais detalhadas em toda a cadeia.
Fontes
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