Tecnologia

Altitude e manejo estendem safra da tangerina poncan no ES

Produtores de Domingos Martins usam clima de altitude e tecnologia para colher tangerina poncan quase o ano todo, ganhando preço melhor e regularidade de oferta.

20 de setembro de 2026 4 min de leitura
Altitude e manejo estendem safra da tangerina poncan no ES

Produtores de tangerina poncan em Domingos Martins, na região serrana do Espírito Santo, estão estendendo a safra ao combinar clima de altitude com manejo tecnológico. A estratégia permite colher em diferentes épocas ao longo do ano, escapar da concorrência na safra concentrada e garantir melhor remuneração pela fruta.

O que aconteceu

Enquanto a maioria dos citricultores encerra a colheita da poncan entre maio e julho, produtores do distrito de Aracê ajustaram o calendário para entrar mais tarde na oferta. Em áreas mais baixas, a colheita começa no fim de maio; nas propriedades acima de 1.000 metros de altitude, o início só ocorre em meados de agosto, prolongando a disponibilidade de fruta fresca.[1]

A altitude gera maior amplitude térmica: noites mais frias e dias amenos desaceleram o metabolismo da planta, atrasam a maturação e mantêm o fruto saudável no pé por mais tempo. Com isso, o produtor colhe de forma escalonada, ocupando tanto o período tradicional da safra quanto parte da entressafra, quando há menos oferta no mercado.[1][4]

Além do efeito do clima, agricultores investem em práticas de manejo, como adubação equilibrada, acompanhamento técnico e escolha de porta-enxertos adaptados às condições da serra, para segurar a fruta com qualidade e reduzir perdas por queda ou apodrecimento.[2][6]

Por que importa para o agro

O escalonamento da colheita de poncan em regiões de altitude melhora a renda do produtor, que foge da concentração de oferta e vende em meses em que o preço tende a ser maior. Experiências do Polo de Tangerina do Espírito Santo mostram que propriedades em áreas serranas chegam a colher quatro a seis caixas por planta, ante uma a duas caixas em regiões mais quentes.[8][11]

Para a cadeia citrícola, essa estratégia amplia o período de abastecimento com fruta de boa aparência e sabor, fortalece o mercado interno e reduz oscilações de oferta entre abril e outubro. Com isso, o consumidor encontra tangerina por mais tempo, e o setor ganha previsibilidade de volume, facilitando contratos com atacadistas e redes varejistas.[4][11]

Dados e contexto

Estudos do Incaper e relatórios do Polo de Tangerina indicam que a combinação de altitudes entre 200 e 1.200 metros alonga o ciclo regional de colheita por cerca de sete meses, de abril a outubro.[4][11]

IndicadorSituação em regiões de altitude do ES

| Altitude típica | 800 a 1.100 m | | Duração da colheita regional | ~7 meses (abril a outubro) | | Produtividade por planta | 4 a 6 caixas em Domingos Martins |

Nas áreas mais baixas do polo, a produção tende a se concentrar entre março e abril. Já em municípios acima de 900 m, o uso de irrigação, manejo de poda e porta-enxertos adequados permite esticar a colheita até novembro, ocupando bem o período de entressafra.[6]

Técnicos destacam que análise de solo, correção de acidez, adubação de cobertura e manejo fitossanitário são decisivos para manter plantas vigorosas e frutos com calibre maior, mesmo em ciclos mais longos. Embrapa e Incaper reforçam a importância de adequar cultivares e práticas ao microclima de cada propriedade.[2][10][11]

O que observar daqui pra frente

Para o produtor de citros, o caso de Domingos Martins mostra que a combinação de altitude, manejo de solo e irrigação pode transformar uma cultura de safra curta em fonte de renda distribuída ao longo do ano. Oportunidades estão em ampliar o uso de tecnologias de pós-colheita, organizar oferta em cooperativas e explorar nichos de mercado fora da safra, sem descuidar de riscos climáticos, como ondas de calor e chuvas concentradas, que podem antecipar a colheita e elevar perdas.[1][4][6]

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo