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Após spin-off das terras, 051 Capital volta ao agro pelo crédito

Depois de separar a operação de terras na Tane Capital, a 051 foca em crédito estruturado para produtores e empresas do agro.

27 de agosto de 2026 4 min de leitura
Após spin-off das terras, 051 Capital volta ao agro pelo crédito

A 051 Capital reorganizou sua atuação no agronegócio depois de separar a área de terras, que migrou para a nova gestora Tane Capital. Com o spin-off concluído, a casa volta ao agro com foco em crédito estruturado, mirando produtores e empresas em busca de capital em um cenário de juros ainda elevados e aperto bancário.

O que aconteceu

A 051 Capital foi uma das pioneiras em fundos ligados a terras agrícolas no Brasil, incluindo o primeiro Fiagro FII exclusivo de terras, o FZDA11, listado na B3 e focado em propriedades rurais arrendadas para grandes grupos do campo.

Essa operação de terras foi desmembrada e passou para a Tane Capital, gestora criada por ex-executivos da própria 051, que assumiu a gestão de fundos com cerca de R$ 1,5 bilhão em ativos e planos de lançar ao menos um fundo de terras por ano.

Com a saída da linha de terras para a Tane, a 051 reorganizou o portfólio e reposicionou o braço agro para atuar em crédito estruturado, incluindo reestruturação de dívidas, operações com recebíveis e soluções sob medida para cooperativas, agroindústrias e produtores de médio e grande porte.

Por que importa para o agro

A mudança amplia a oferta de capital fora dos bancos tradicionais, em um momento em que produtores convivem com margens apertadas, preços mais voláteis e maior exigência de garantias por parte das instituições financeiras. A oferta de crédito estruturado permite alongar prazos, ajustar fluxo de caixa às safras e negociar dívidas com mais flexibilidade.

Para o mercado, a ênfase em crédito reforça a tendência de sofisticação financeira do agro, que passa a combinar Fiagros, CRAs, fundos de crédito e estruturas de recuperação com maior profissionalização. A atuação de gestoras especializadas ajuda a destravar operações de R$ milhões que muitas vezes não cabem no padrão de agência bancária.

Dados e contexto

O crédito rural no Brasil soma mais de R$ 500 bilhões por safra, considerando recursos controlados e livres, segundo o Ministério da Agricultura (MAPA) e o Banco Central. Boa parte desse volume ainda passa pelos bancos públicos e privados, mas a participação de instrumentos de mercado de capitais vem crescendo.

A Conab aponta que a produção de grãos supera 300 milhões de toneladas nas últimas safras, exigindo capital pesado em tecnologia, máquinas, armazenagem e logística. Ao mesmo tempo, a volatilidade de preços e o atraso em vendas aumentam a necessidade de linhas de capital de giro e de reestruturação de dívidas.

Na frente de mercado de capitais, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) registra uma expansão rápida dos Fiagros, que já somam perto de R$ 40 bilhões em patrimônio, com destaque para fundos de crédito e, mais recentemente, fundos de terras agrícolas.

A 051 se destacou neste movimento ao estruturar fundos imobiliários e Fiagros lastreados em fazendas, inclusive com arrendamento para grandes grupos de produção, além de ampliar a atuação em soluções de crédito estruturado para o setor.

Produtores de soja e milho, especialmente nas regiões de expansão como o Matopiba, são os mais demandantes dessas soluções, seja para financiar expansão de área, seja para reorganizar passivos em meio a ciclos de preços menos favoráveis.

O que observar daqui pra frente

Para o produtor e empresas do agro, a mensagem é clara: o crédito tende a ficar mais sofisticado e seletivo. Quem tiver gestão financeira organizada, dados de produtividade e histórico consistente terá acesso facilitado a operações estruturadas com melhor custo e prazo. Já quem segue dependente apenas do banco local e sem controle de números pode enfrentar mais dificuldade de crédito e juros mais altos, em um ambiente em que gestoras como a 051 disputam espaço com bancos, Fiagros e novas fintechs do campo.

Fontes

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