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Exportação de carne bovina cai em agosto, mas preço por tonelada dispara

Em agosto, o Brasil exportou menos carne bovina, porém com forte alta no preço médio por tonelada, sustentando a receita do setor.

06 de setembro de 2026 4 min de leitura
Exportação de carne bovina cai em agosto, mas preço por tonelada dispara

O Brasil embarcou bem menos carne bovina em agosto, mas vendeu cada tonelada mais cara no mercado externo. A queda no volume foi compensada por uma alta próxima de 10% no preço médio em dólar, o que ajudou a sustentar a receita das exportações e mantém o país competitivo entre os grandes fornecedores globais.

O que aconteceu

Segundo dados do Cepea/Esalq-USP, os embarques de carne bovina ficaram em cerca de 258 mil toneladas em agosto, recuo de 27,1% frente ao mesmo mês do ano passado. A receita, porém, somou aproximadamente US$ 1,56 bilhão, mostrando que o setor conseguiu segurar o faturamento mesmo com menos produto embarcado.

O preço médio da carne bovina brasileira no mercado internacional foi o destaque positivo. A tonelada foi negociada em torno de US$ 6.046 a US$ 6.166, alta próxima de 10% em relação aos cerca de US$ 5.600 registrados em agosto do ano anterior. Em outras leituras da parcial do mês, o valor médio ficou na faixa de US$ 6.190 por tonelada, reforçando o ganho de preço.

Na prática, o Brasil exportou menos carne, mas em um patamar de preço mais elevado, indicando demanda firme de compradores externos dispostos a pagar mais pelo produto brasileiro, mesmo diante da redução nos volumes.

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Por que importa para o agro

Para o pecuarista, o movimento abre espaço para manutenção ou alta nos preços do boi gordo, já que a indústria consegue compensar parte da queda no volume com margens melhores na exportação. Essa valorização externa tende a sustentar as referências da arroba em praças exportadoras e reduzir o risco de pressão de baixa intensa no mercado interno.

Para a cadeia da carne bovina, o cenário exige atenção à gestão de contratos e planejamento de oferta. Menos embarques podem refletir questões logísticas, sanitárias ou de competitividade pontual, mas a alta no preço médio mostra que o Brasil segue relevante no trade global e tem espaço para trabalhar produtos de maior valor agregado.

Dados e contexto

IndicadorAgosto (último dado)

| Volume exportado | ≈ 258 mil t | | Variação anual do volume | -27,1% | | Receita total | ≈ US$ 1,56 bi | | Preço médio por tonelada (Cepea) | ≈ US$ 6.046–6.166 | | Preço médio em agosto anterior | ≈ US$ 5.600/t | | Variação do preço médio | +10% |

Levantamentos de mercado como Cepea/Esalq-USP, Secex/ME e análises privadas mostram trajetória consistente de valorização do preço médio da carne bovina brasileira ao longo de 2026, mesmo com oscilações de volume. Em parciais de agosto, o preço médio chegou à faixa de US$ 6,19 por tonelada, com alta em relação a agosto de 2025, quando girava em torno de US$ 5,60 por tonelada.

Ao mesmo tempo, consultorias e entidades como Abrafrigo apontam avanço do preço médio da tonelada entre 9% e 10,6% na comparação anual, reforçando o quadro de demanda internacional resiliente, ainda que mais seletiva em termos de origem, tipo de produto e padrão sanitário.

O que observar daqui pra frente

O setor deve acompanhar a combinação de câmbio, habilitações sanitárias e ritmo de compras de grandes clientes, como China e Oriente Médio. Se o preço médio seguir firme acima de US$ 6 mil por tonelada e o volume voltar a crescer nos próximos meses, há espaço para novos recordes de receita e suporte adicional à arroba. Por outro lado, qualquer nova restrição sanitária ou perda de competitividade pode ampliar a queda nos embarques e pressionar margens de frigoríficos e produtores.

Fontes

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