Aprosoja-MT pressiona Senado por mudanças no frete mínimo
Projeto que transforma piso mínimo do frete em lei avança no Congresso e Aprosoja-MT pede ajustes para evitar aumento de custo e insegurança jurídica ao agro.

O projeto que torna permanente o piso mínimo do frete rodoviário avançou na Câmara e segue para o Senado, reacendendo o embate entre transportadores e agro. A Aprosoja-MT avalia que o texto, do jeito que está, aumenta custos logísticos, reduz competitividade das exportações e amplia a insegurança jurídica para produtores e indústrias.
O que aconteceu
Deputados aprovaram projeto que consolida em lei a política de preço mínimo do frete, criada após a greve dos caminhoneiros de 2018 e hoje baseada em normas da ANTT. O texto mantém a lógica de tabelamento obrigatório, com punições para quem contratar transporte abaixo do piso.
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) afirma que o modelo atual já encarece o escoamento da safra e pede ajustes no Senado para reduzir distorções entre regiões e tipos de carga.[1] A entidade defende regras mais flexíveis, que considerem sazonalidade, distância e realidade de corredores de exportação como os de Mato Grosso.
Organizações do transporte veicular, por outro lado, veem o projeto como avanço para garantir remuneração mínima e previsibilidade ao caminhoneiro, especialmente autônomo.[2] A disputa agora se concentra no Senado, que pode alterar pontos sensíveis antes da sanção presidencial.
Por que importa para o agro
O frete rodoviário representa parte relevante do custo logístico do agro brasileiro, em alguns casos chegando a consumir boa fatia da margem do produtor na safra.[5] Em estados distantes dos portos, como Mato Grosso, qualquer aumento na tabela mínima reduz competitividade frente a concorrentes como Estados Unidos e Argentina.
A consolidação do frete mínimo em lei, sem mecanismos de ajuste mais finos, pode engessar negociações em períodos de safra cheia ou baixa demanda por transporte. Para o agro, o risco é pagar mais mesmo quando há excesso de caminhões disponíveis, pressionando preços internos de grãos, carnes e insumos.[4][10]
Dados e contexto
A política de frete mínimo foi criada em 2018 e, desde então, a ANTT revisa periodicamente as tabelas por tipo de carga, distância e operação.[6][7]
Alguns números ajudam a dimensionar o impacto:
- A ANTT é obrigada por lei a reajustar o piso a cada seis meses ou quando o diesel varia 10% ou mais.[6]
- Em revisão recente, reajustes médios variaram de 1,28% a 1,59%, conforme o tipo de operação.[6]
- Em outras atualizações, o aumento médio na tabela já chegou a 8,35% a 13,19%, de acordo com o tipo de carga.[7]
- Estudos de consultorias indicam aumento médio de 30% no custo de transporte de graneis sólidos, como soja e milho, na safra, com regras de frete mínimo semelhantes às atuais.[2]
- Em setores como fertilizantes, a lei do frete mínimo já elevou o custo de transporte em mais de 35%, com repasse ao preço final dos insumos.[10]
| Fator | Impacto estimado no agro |
|---|---|
| Aumento típico da tabela de frete | 8% a 13% em alguns ciclos[7] |
| Custo extra em graneis (soja/milho) | ~30% na safra[2] |
| Alta em frete de fertilizantes | >35% nos custos de transporte[10] |
Segundo entidades do setor, a combinação de piso obrigatório, diesel volátil e infraestrutura precária aumenta a sensibilidade do agro à política de frete. Estudos apresentados por associações reforçam que o tema não é apenas de transporte, mas de competitividade de exportação e de inflação de alimentos.[1][5][8]
O que observar daqui pra frente
Produtores, cooperativas e agroindústrias devem acompanhar a tramitação no Senado e possíveis emendas que tornem a política de frete mínimo mais flexível, com espaço para contratos de longo prazo, diferenciação por rota e incentivos a outros modais. Se o texto for aprovado sem ajustes, a tendência é de mais custo logístico, maior fiscalização eletrônica e necessidade de planejamento fino de safra, armazenagem e venda antecipada para preservar margem.
Fontes
- Canal Rural – Projeto sobre frete mínimo avança e Aprosoja-MT pede mudanças no Senado
- SNA – Aprosoja MT aponta falhas no piso mínimo do frete
- Gov.br – ANTT atualiza tabelas dos pisos mínimos de frete
- Canal Rural – ANTT atualiza tabela do piso mínimo de frete rodoviário
- ACEBRA – Novo frete mínimo pode piorar vida do caminhoneiro
- Safras – Lei do frete mínimo eleva custos de transporte do setor de fertilizantes
- youtube.com
- cnnbrasil.com.br
- opresenterural.com.br
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