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Argus projeta safra recorde de trigo na Ucrânia em 2026/27

Consultoria Argus elevou para 24,1 milhões de toneladas a projeção da safra de trigo da Ucrânia em 2026/27, consolidando o país como fornecedor-chave no mercado global.

21 de julho de 2026 4 min de leitura
Argus projeta safra recorde de trigo na Ucrânia em 2026/27

A consultoria Argus elevou a projeção da safra de trigo da Ucrânia para 24,1 milhões de toneladas na temporada 2026/27, acima da estimativa anterior de 23,5 milhões de toneladas.[4] A revisão reflete maior potencial de rendimento nas regiões sul e leste do país, reforçando o papel da Ucrânia como fornecedor relevante em um mercado global de trigo mais apertado.

O que aconteceu

Segundo dados divulgados pela Argus, o estudo recente indicou melhor desempenho esperado nas áreas produtoras do sul e do leste da Ucrânia, levando à revisão da safra de trigo para 24,1 milhões de toneladas.[4] A nova estimativa supera tanto a projeção anterior da própria Argus quanto números mais conservadores de consultorias locais.

Consultorias ucranianas ainda trabalham com cenários um pouco menores. A APK-Inform, por exemplo, revisou sua projeção de trigo para 21,7 milhões de toneladas em 2026, após ajuste de 19,9 milhões de toneladas anteriores.[1] Já o sindicato UGA projeta 22,8 milhões de toneladas de trigo na safra de 2026.[3]

Do lado oficial, o governo ucraniano fala em um intervalo de 24 a 25 milhões de toneladas de trigo em 2026, na primeira estimativa divulgada pelo vice-ministro da Economia Taras Vysotskiy.[11] Na prática, Argus se alinha à parte alta dessas projeções, reforçando percepção de recuperação da oferta após os choques da guerra.

Por que importa para o agro

Para o produtor brasileiro, uma safra maior na Ucrânia tende a aumentar a oferta internacional de trigo e limitar movimentos de alta mais fortes nas cotações, especialmente em momentos sem novos choques geopolíticos. Isso afeta diretamente estratégias de comercialização, travas de preço e decisões de área, sobretudo no Sul.

Ao mesmo tempo, a revisão da Argus ocorre em um cenário em que o USDA projeta estoques globais de trigo em queda para o fim de 2026/27, estimados em 272,84 milhões de toneladas, abaixo do ciclo anterior.[12] Ou seja, mesmo com Ucrânia mais forte, o mercado segue sensível a problemas de safra em outros grandes produtores, mantendo volatilidade e abrindo espaço para oportunidades táticas de venda.

Dados e contexto

IndicadorProjeção 2026/27
Safra de trigo da Ucrânia – Argus**24,1 mi t**[4]
Safra de trigo da Ucrânia – APK-Inform**21,7 mi t**[1]
Safra de trigo da Ucrânia – UGA**22,8 mi t**[3]
Safra de trigo da Ucrânia – governo (intervalo)**24–25 mi t**[11]
Exportações de trigo da Ucrânia – USDA**14,5 mi t**[7]
Estoques globais de trigo – USDA 2026/27**272,84 mi t**[12]

Além do trigo, a UGA estima que a safra combinada de grãos e oleaginosas da Ucrânia em 2026 pode chegar a 83,6 milhões de toneladas, com excedente exportável de 50,8 milhões de toneladas.[3] Dentro desse pacote, o trigo deve responder por boa parte da receita em divisas, crucial para o país em guerra.

O USDA elevou recentemente a projeção de exportações de trigo ucraniano para 14,5 milhões de toneladas em 2026/27, acima da estimativa anterior.[7] Em paralelo, o Ministério da Economia da Ucrânia aumentou a projeção de área de trigo de inverno para cerca de 5,2 milhões de hectares, reforçando o potencial de produção.[9]

No cenário global, o corte nas estimativas de estoques de trigo pelo USDA indica um mercado mais justo em oferta, mesmo com aumento de produção em alguns países.[12] Isso mantém atenção sobre clima em grandes produtores, logística no Mar Negro e eventuais novas sanções ou bloqueios.

O que observar daqui pra frente

Produtores e agentes de mercado devem acompanhar três pontos: evolução da situação de guerra e logística no Mar Negro, possíveis revisões das estimativas de produção ucraniana conforme o ciclo avança e novas projeções de estoques globais pelo USDA. Qualquer frustração de safra na Ucrânia ou em outros players tende a reverter parte da pressão baixista, enquanto uma confirmação das 24,1 milhões de toneladas em 2026/27 reforçará competição no mercado internacional e exigirá maior disciplina na gestão de risco de preços.

Fontes

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