Sustentabilidade

Atlas avança em fábrica de fertilizante verde de US$ 1,1 bilhão

Projeto em Uberaba prevê produzir 530 mil toneladas anuais de nitrato de amônio verde a partir de 2031.

27 de outubro de 2026 3 min de leitura
Atlas avança em fábrica de fertilizante verde de US$ 1,1 bilhão

A Atlas Fertilizantes iniciou a etapa final de engenharia de uma fábrica em Uberaba (MG) que pretende produzir 530 mil toneladas anuais de nitrato de amônio verde. Orçado em US$ 1,1 bilhão, o projeto deve começar a operação comercial em 2031 e busca reduzir a dependência brasileira de fertilizantes nitrogenados importados.

O que aconteceu

A unidade será uma das primeiras instalações industriais de grande escala a fabricar fertilizantes nitrogenados usando hidrogênio verde. A tecnologia empregará eletricidade renovável para separar as moléculas da água por eletrólise, gerando hidrogênio e oxigênio.

O hidrogênio será combinado ao nitrogênio retirado do ar para formar amônia pelo processo Haber-Bosch. Em seguida, parte da amônia será transformada em ácido nítrico. A reação entre os dois compostos resultará no nitrato de amônio, utilizado como fertilizante e também em aplicações industriais.

A planta terá capacidade estimada de 225 mil toneladas de amônia e 42 mil toneladas de hidrogênio verde por ano. A Atlas prevê contratar energia solar e eólica da Casa dos Ventos para abastecer a operação.

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Por que importa para o agro

O Brasil depende fortemente de compras externas para atender ao consumo de fertilizantes. A produção nacional de nitrogenados pode reduzir a exposição dos produtores às oscilações de preços internacionais, ao frete marítimo e a interrupções no comércio global.

A alternativa também cria uma nova referência para a indústria. Ao substituir fontes fósseis na produção de hidrogênio, o projeto pode reduzir as emissões associadas ao fertilizante. O ganho ambiental, porém, dependerá da origem efetivamente renovável da energia, da eficiência industrial e da operação contínua da fábrica.

Para o produtor, o efeito não será imediato. A unidade está prevista para entrar em funcionamento apenas em 2031, e o preço final dependerá dos custos de energia, logística, financiamento e distribuição. A oferta adicional tende a beneficiar regiões próximas ao Triângulo Mineiro, onde o transporte pode ser mais competitivo.

Dados e contexto

IndicadorPrevisão do projeto
InvestimentoUS$ 1,1 bilhão
LocalizaçãoUberaba, Minas Gerais
Operação comercial2031
Nitrato de amônio530 mil toneladas por ano
Amônia225 mil toneladas por ano
Hidrogênio verde42 mil toneladas por ano
Demanda de energia300 MW renováveis
Captação de água800 m³ por hora

A água será captada no Rio Grande, a aproximadamente dois quilômetros do terreno. Na capacidade máxima, o volume chegará a 19,2 milhões de litros por dia. Segundo a empresa, a retirada representará menos de 1% da vazão do rio.

O projeto ainda precisa concluir etapas de engenharia, licenciamento, contratação dos recursos financeiros e implantação da infraestrutura. A disponibilidade de energia renovável firme será decisiva para manter a produção estável.

O que observar daqui pra frente

Os principais pontos são a contratação do financiamento, a conclusão da engenharia e a obtenção das licenças ambientais. Também será necessário acompanhar o custo da energia, a garantia de fornecimento ao longo do ano e a capacidade de competir com fertilizantes importados. Se essas condições forem atendidas, a fábrica poderá ampliar a oferta doméstica e acelerar a produção de nitrogenados de menor intensidade de carbono.

Fontes

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