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Atlas avança em projeto de US$ 1,1 bilhão para produzir fertilizante em Uberaba

Atlas Agro mobiliza recursos para engenharia e já tem contratos de compra para parte da produção de fertilizantes nitrogenados em Uberaba.

26 de outubro de 2026 4 min de leitura
Atlas avança em projeto de US$ 1,1 bilhão para produzir fertilizante em Uberaba

A Atlas Agro deu mais um passo no projeto de uma fábrica de fertilizantes nitrogenados em Uberaba (MG). A empresa já mobilizou recursos para engenharia e desenvolvimento e assinou contratos de compra que representam cerca de 22% da produção planejada. O empreendimento busca fabricar fertilizantes a partir de água, ar e eletricidade renovável, reduzindo a dependência brasileira de importações.

O que aconteceu

O projeto está estimado em US$ 1,1 bilhão e prevê uma capacidade anual de 530 mil toneladas de nitrato de amônio. A Atlas trabalha para concluir a engenharia básica, estruturar o financiamento e reduzir os riscos técnicos antes da decisão final de investimento, prevista para 2027.

A empresa informou que já mobilizou cerca de US$ 9 milhões para engenharia e desenvolvimento. Também negocia a entrada de um novo sócio para completar um pacote de aproximadamente US$ 20 milhões destinado à engenharia detalhada e aos custos anteriores à decisão final.

A estrutura financeira conta com a Macquarie Asset Management como principal patrocinadora. A Atlas também mantém conversas com bancos multilaterais e instituições de desenvolvimento para obter capital complementar.

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Por que importa para o agro

O Brasil é um dos maiores consumidores mundiais de fertilizantes, mas depende de importações para atender grande parte da demanda, principalmente em nitrogenados. Uma unidade nacional pode reduzir riscos associados ao câmbio, ao frete internacional e a interrupções no fornecimento externo.

A fábrica também pode ampliar a oferta de produtos com menor intensidade de carbono. O processo utiliza eletricidade renovável para separar o hidrogênio da água por eletrólise. O hidrogênio é combinado ao nitrogênio retirado do ar para produzir amônia, matéria-prima dos fertilizantes nitrogenados.

Para produtores de soja, milho, cana-de-açúcar e algodão, o impacto dependerá do preço final, da regularidade da entrega e da escala comercial. A produção local não garante fertilizante mais barato, mas pode aumentar a concorrência e oferecer uma alternativa adicional de abastecimento.

Dados e contexto

  • Investimento estimado: US$ 1,1 bilhão.
  • Produção prevista: 530 mil toneladas anuais de nitrato de amônio.
  • Contratos de compra: aproximadamente 22% da produção planejada.
  • Energia estimada: cerca de 300 MWh por hora, segundo informações divulgadas sobre o projeto.
  • Água: captação projetada de aproximadamente 800 mil litros por hora no Rio Grande.
  • Empregos: cerca de 2 mil durante a construção e 540 na operação.
O nitrogênio é essencial para a produtividade agrícola, mas sua fabricação convencional utiliza gás natural e apresenta elevada emissão de carbono. A alternativa proposta pela Atlas substitui o hidrogênio de origem fóssil pelo hidrogênio produzido com eletricidade renovável.

A localização em Uberaba favorece o acesso a um importante polo agrícola e industrial do Triângulo Mineiro. A região concentra consumidores de fertilizantes e possui conexão logística com áreas produtoras de grãos, cana e fibras.

O que observar daqui para frente

Os principais pontos serão a conclusão da engenharia básica, a captação dos recursos restantes e a decisão final de investimento. Também será necessário acompanhar o custo da energia renovável, as autorizações ambientais, a disponibilidade de água e a assinatura de novos contratos de compra. Para o agro, o projeto só terá efeito relevante quando houver produção comercial, preços competitivos e entrega regular ao mercado.

Fontes

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