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Avicultores do ES definem prioridades e cobram competitividade para 2026

Produtores de frango do Espírito Santo alinham demandas para reduzir custos, ganhar competitividade e garantir expansão sustentável da atividade até 2026.

16 de maio de 2026 4 min de leitura
Avicultores do ES definem prioridades e cobram competitividade para 2026

Produtores de frango do Espírito Santo se reuniram para alinhar a agenda da avicultura capixaba até 2026, com foco em redução de custos, melhoria da infraestrutura, acesso a crédito e abertura de mercado. As decisões miram manter a competitividade frente a outros estados, garantir renda ao produtor integrado e dar previsibilidade aos investimentos na atividade.

O que aconteceu

Lideranças da avicultura do Espírito Santo participaram de encontro setorial, com produtores, cooperativas, indústrias e representantes de governo, para mapear os principais gargalos da cadeia. Do debate saíram prioridades para o próximo ciclo, que incluem políticas de apoio ao custeio, estímulos à modernização de granjas e ações de sanidade e biosseguridade.

O grupo também discutiu estratégias para compensar desvantagens logísticas em relação a grandes polos avícolas do país, como Sul e Centro-Oeste. Entre as pautas aparecem melhoria de estradas, redução de custos de transporte e maior integração com o setor de grãos para garantir milho e farelo de soja a preços competitivos.

Outra frente é a abertura e consolidação de mercados para o frango capixaba, tanto no mercado interno quanto em possíveis nichos de exportação regional. A avaliação é que, sem escala igual aos grandes estados, o Espírito Santo precisa apostar em eficiência produtiva, padronização e agregação de valor para manter espaço.

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Por que importa para o agro

A avicultura é uma das cadeias mais sensíveis a custo de insumos, especialmente ração, energia e logística. Pequenas variações nesses itens podem tirar margens de produtores integrados e travar investimentos em tecnologia. Ao organizar uma agenda comum até 2026, os avicultores capixabas tentam reduzir riscos e tornar previsíveis as condições de produção.

Para o agronegócio regional, a competitividade da avicultura impacta diretamente demanda por milho, soja, serviços, transporte e empregos no interior. Se o setor ganha escala e eficiência, toda a cadeia de proteína animal e de grãos da região se fortalece, ampliando renda e tributos locais.

Dados e contexto

Segundo a Embrapa Suínos e Aves, a alimentação representa em torno de 65% a 70% do custo total de produção de frango de corte no Brasil, o que explica a preocupação dos avicultores com insumos. Estados próximos a grandes áreas produtoras de grãos tendem a ter vantagem competitiva nesse item.

Dados da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) indicam que o Brasil produziu cerca de 14,8 milhões de toneladas de carne de frango em 2024, com exportações acima de 5 milhões de toneladas. A produção capixaba é pequena frente a estados líderes como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, mas tem peso relevante na economia local e abastece mercados regionais.

No Espírito Santo, a avicultura está concentrada principalmente em pequenas e médias propriedades integradas à indústria. Isso exige contratos estáveis, regras claras e apoio em gestão para que o produtor consiga investir em ambiência, bem-estar animal e adequação às normas sanitárias exigidas pelos mercados.

O acesso a crédito rural específico para modernização de galpões, energia solar, melhoria de ambiência e automação também é ponto central. Programas como Pronaf e Pronamp, do MAPA e do BNDES, podem ser utilizados para financiar investimentos em eficiência, desde que o produtor tenha projetos estruturados e boas garantias.

Outro aspecto em discussão é a sanidade. O Brasil mantém status livre de influenza aviária de alta patogenicidade em plantéis comerciais, reconhecido pela OIE (WOAH), mas o avanço da doença em aves silvestres exige reforço constante de biosseguridade. Para estados menores, um foco sanitário pode comprometer rapidamente a imagem do produto e o acesso a mercados.

IndicadorSituação geral Brasil*
Participação da ração no custo65%–70% do custo total

| Produção de frango (2024) | ~14,8 mi t (ABPA) | | Exportações de frango (2024) | >5 mi t (ABPA) |

\*Dados de referência nacional, usados como contexto para o ES.

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústrias devem acompanhar a consolidação das pautas definidas no encontro em políticas concretas: linhas de crédito acessíveis, melhorias logísticas efetivas, suporte em gestão e programas de sanidade. Quem se antecipar, investindo em eficiência, biosseguridade e relacionamento com a indústria, tende a aproveitar melhor oportunidades de mercado até 2026, enquanto aqueles que não ajustarem custos podem perder competitividade para outros estados.

Fontes

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