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Bactérias benéficas reduzem em 60% sintomas de fungo no trigo

Pesquisa da USP e da Embrapa identifica bactérias capazes de reduzir a severidade de doenças causadas por fungo no trigo.

24 de outubro de 2026 3 min de leitura
Bactérias benéficas reduzem em 60% sintomas de fungo no trigo

Uma pesquisa da Embrapa e da Universidade de São Paulo (USP) identificou bactérias capazes de reduzir em aproximadamente 60% a severidade de doenças causadas pelo fungo Bipolaris sorokiniana no trigo. O resultado abre caminho para novas estratégias de controle biológico e pode ajudar a diminuir a dependência de fungicidas na cultura.

O que aconteceu

O estudo avaliou três bactérias benéficas aplicadas em plantas de trigo expostas ao fungo. Os experimentos foram conduzidos em condições controladas, com a comparação entre plantas que receberam apenas o patógeno e outras tratadas com os microrganismos.

A bactéria Pseudomonas inefficax apresentou os resultados mais expressivos. A redução dos sintomas ocorreu mesmo quando a população do fungo permaneceu estável ou aumentou em alguns tratamentos.

Segundo os pesquisadores, o efeito está relacionado à reorganização da comunidade de microrganismos associada às raízes. Em vez de eliminar diretamente o fungo, as bactérias estimularam mecanismos de resistência da planta e modificaram o microbioma do trigo.

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Por que importa para o agro

O Bipolaris sorokiniana causa doenças como mancha-marrom, podridão radicular, podridão da coroa, queima de plântulas e ponto preto. Esses problemas reduzem a área foliar, prejudicam a fotossíntese e podem comprometer a formação dos grãos.

A tecnologia pode complementar o manejo integrado de doenças, principalmente em sistemas que buscam reduzir aplicações químicas. O uso de bactérias benéficas também pode contribuir para estratégias de maior sustentabilidade e para o manejo da resistência de fungos a fungicidas.

O resultado, porém, ainda não representa uma recomendação imediata para uso comercial. Ensaios de campo serão necessários para avaliar o desempenho das bactérias em diferentes cultivares, solos, condições climáticas e níveis de pressão da doença.

Dados e contexto

  • Redução observada: aproximadamente 60% na severidade dos sintomas.
  • Principal bactéria avaliada: Pseudomonas inefficax.
  • Patógeno estudado: Bipolaris sorokiniana.
  • Instituições envolvidas: Embrapa Meio Ambiente e USP.
  • Doenças associadas: mancha-marrom, podridões, queima de plântulas e ponto preto.
  • Base do controle: alteração do microbioma das raízes e ativação da resistência da planta.
A pesquisa foi coordenada pelo pesquisador Rodrigo Mendes, da Embrapa Meio Ambiente. O artigo foi publicado na revista científica npj Biofilms and Microbiomes, do grupo Nature.

A mancha-marrom pode provocar perdas relevantes quando não controlada. Em situações severas, a redução do rendimento pode variar de 10% a 50% ou mais, conforme a intensidade da doença e as condições da lavoura.

O que observar daqui pra frente

O principal ponto será a validação em campo e o desenvolvimento de um inoculante estável, eficiente e economicamente viável. Produtores devem acompanhar os resultados de novos ensaios, sem substituir fungicidas ou outras práticas recomendadas antes do registro e da validação técnica da tecnologia.

Fontes

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