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Bacteriófago reduz lesões do cancro cítrico em até 60%

Vírus encontrado em pomares paulistas reduziu lesões do cancro cítrico em testes de estufa e pode ajudar a diminuir o uso de cobre.

03 de outubro de 2026 4 min de leitura
Bacteriófago reduz lesões do cancro cítrico em até 60%

Um vírus identificado em pomares de São Paulo reduziu em até 60% as lesões causadas pelo cancro cítrico em laranjeiras mantidas em casa de vegetação. O resultado abre caminho para um possível controle biológico da doença, que atinge folhas, ramos e frutos e pode reduzir a produtividade dos pomares.

O que aconteceu

O estudo avaliou o bacteriófago P27, um tipo de vírus que infecta bactérias. A linhagem foi selecionada por sua capacidade de atacar a Xanthomonas citri, bactéria responsável pelo cancro cítrico.

Aplicado sobre folhas de laranjeiras inoculadas com o patógeno, o P27 limitou a multiplicação das colônias bacterianas. As plantas tratadas apresentaram até 60% menos lesões que as plantas usadas como testemunha.

O vírus atua de forma específica contra a bactéria-alvo. Essa característica pode reduzir impactos sobre outros organismos e diferenciar a tecnologia de produtos de ação mais ampla. Os resultados foram divulgados após a publicação do estudo na revista científica Microbial Genomics.

Por que importa para o agro

O cancro cítrico provoca lesões corticosas em folhas, ramos e frutos. Em condições favoráveis, a doença pode causar desfolha, queda prematura de frutos e perda de qualidade comercial. O manejo exige monitoramento constante, medidas de prevenção e aplicações de produtos à base de cobre.

Um bioproduto baseado em bacteriófagos poderia complementar o manejo atual e diminuir a dependência de defensivos cúpricos. Para o produtor, isso pode representar uma alternativa dentro do manejo integrado, especialmente em áreas com pressão elevada da doença ou restrições ao uso repetido de cobre.

A tecnologia também interessa à indústria de suco e ao mercado de frutas frescas. A redução da severidade da doença pode ajudar a preservar o potencial produtivo e a qualidade dos frutos, mas ainda não há produto comercial disponível com base nos resultados apresentados.

Dados e contexto

  • Agente avaliado: bacteriófago P27.
  • Bactéria-alvo: Xanthomonas citri subsp. citri.
  • Resultado: redução de até 60% nas lesões em plantas tratadas.
  • Ambiente dos testes: laboratório e casa de vegetação.
  • Local de identificação da linhagem: pomares do estado de São Paulo.
  • Culturas afetadas pelo cancro cítrico: laranja, limão e tangerina.
A Embrapa descreve o cancro cítrico como uma doença causada por bactérias do grupo Xanthomonas, com sintomas em folhas, ramos e frutos. O manejo convencional utiliza medidas preventivas e bactericidas à base de cobre, cuja eficiência depende do momento de aplicação e das condições do pomar.

O resultado do P27 ainda não equivale a controle comprovado em escala comercial. A eficácia observada em ambiente protegido pode mudar sob chuva, radiação solar, variações de temperatura e maior diversidade microbiana.

O que observar daqui pra frente

Os próximos passos devem incluir testes em campo aberto, avaliação da persistência do vírus nas folhas, definição de doses e frequência de aplicação e análise da compatibilidade com produtos cúpricos. Também será necessário verificar o desempenho em diferentes variedades, regiões e níveis de pressão da doença. Até a validação agronômica e regulatória, o bacteriófago deve ser tratado como uma tecnologia promissora em fase de pesquisa, não como substituto imediato do manejo recomendado.

Fontes

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