Balanços mostram cenários opostos entre usinas de açúcar e etanol
Resultados recentes revelam usinas com ganho de moagem e outras pressionadas por clima e preços, acendendo alerta para gestão de risco no setor sucroenergético.
Os últimos balanços de grupos sucroenergéticos brasileiros expuseram realidades bem distintas no setor. Enquanto empresas com maior moagem e melhor clima melhoraram margens e endividamento, concorrentes sofreram com quebra de produtividade, clima adverso e preços menos favoráveis. O contraste reforça a importância de gestão de risco, eficiência industrial e estratégia comercial na cana, no açúcar, no etanol e na bioeletricidade.[2][4]
O que aconteceu
Entre os principais grupos, alguns conseguiram aumentar a moagem de cana, elevar a produção de açúcar e etanol e, com isso, apresentar avanço de receita e rentabilidade, apoiados em clima mais favorável e bom aproveitamento industrial.[4]
Outras usinas, porém, sentiram o impacto direto do clima. Seca, calor, queimadas e até geadas derrubaram a moagem em cerca de 10% e a produtividade agrícola em quase 12% em um dos grupos analisados, pressionando custos e margens ao longo da safra.[2]
Mesmo com queda de volume, houve casos em que o resultado financeiro foi protegido por forte atuação em hedge de açúcar e etanol, o que compensou parte da perda operacional. Uma companhia, por exemplo, registrou receita líquida de R$ 2,14 bilhões, queda de 8% em um ano, mas manteve Ebitda ajustado em nível robusto, acima de R$ 1,3 bilhão, apesar da retração de 11,8%.[2][3]
Por que importa para o agro
Os números deixam claro que o setor entrou em um ciclo em que clima e gestão definem vencedores e perdedores. Para o produtor de cana, usinas mais saudáveis tendem a alongar contratos, investir em renovação de canaviais e pagar melhor pela matéria-prima. Já unidades pressionadas por dívida e quebra de safra podem reduzir área, enxugar investimentos e apertar negociações.
No mercado, o contraste nos resultados pode influenciar o mix entre açúcar e etanol, além da oferta de biomassa para energia. Grupos com caixa mais folgado têm mais liberdade para ajustar produção conforme preços internacionais do açúcar e a paridade etanol–gasolina, afetando remuneração de canaviais, prêmios regionais e decisões de plantio na próxima safra.[4][5]
Dados e contexto
O setor sucroenergético brasileiro é um dos maiores do mundo em açúcar, etanol e bioeletricidade, com concentração de unidades em São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Centro-Sul.[5][9]
Nos balanços recentes analisados:
- Grupo impactado por clima registrou queda de 10% na moagem e quase 12% na produtividade agrícola.[2]
- Receita líquida anual: R$ 2,14 bilhões, recuo de 8% ano a ano.[2]
- Ebitda ajustado: cerca de R$ 1,3 bilhão, retração de 11,8%.[2]
- Dívida líquida ao fim da safra: R$ 1,72 bilhão, com leve redução frente ao ciclo anterior, indicando esforço de desalavancagem.[2]
A bioeletricidade a partir do bagaço de cana segue como fonte relevante de receita adicional para usinas com cogeração eficiente, principalmente em anos de tarifa elevada e menor oferta hídrica no sistema elétrico, como mostram análises acadêmicas sobre o potencial de geração do setor.[9]
O que observar daqui pra frente
Nos próximos trimestres, o mercado deve acompanhar de perto a evolução do clima, o ritmo de renovação de canaviais e a estratégia de hedge dos grandes grupos. Para o produtor e para a cadeia, o foco estará na capacidade das usinas de manter investimento em cana, reduzir alavancagem e explorar melhor as janelas de preço de açúcar, etanol e energia, abrindo espaço para oportunidades de contratos mais estáveis e parcerias de longo prazo.
Fontes
- AgFeed – Cenários distintos nos balanços sucroenergéticos
- AgFeed – Clima derruba moagem na Jalles, mas hedge salva safra
- YouTube – Cenários distintos nos balanços sucroenergéticos
- FGV Agroanalysis – Cenários de desafios no setor sucroenergético
- RBER/UFPR – Potencial de geração de energia elétrica no setor sucroenergético
- publicacoes.agb.org.br
- instagram.com
- periodicos.fgv.br
- unica.com.br
- jornal.unicamp.br
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