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Banco Central amplia uso de contas em moeda estrangeira no Brasil

Nova resolução do Banco Central amplia acesso a contas em moeda estrangeira no país e muda a gestão de receitas de exportação, com impacto direto para empresas do agro.

19 de junho de 2026 4 min de leitura
Banco Central amplia uso de contas em moeda estrangeira no Brasil

O Banco Central aprovou nova resolução que expande o acesso e o uso de contas em moeda estrangeira no país, dentro da regulamentação do Marco Legal do Câmbio. A medida mira empresas com operações internacionais, reduz burocracia em transferências e dá mais flexibilidade na gestão de receitas em dólar e euro, movimento relevante para exportadores do agronegócio.[1][4]

O que aconteceu

O BC detalhou regras que permitem a um número maior de empresas manter contas de depósito em moeda estrangeira em bancos no Brasil, não mais restritas apenas a instituições financeiras, embaixadas e poucos setores específicos.[1][4] Podem passar a ter esse tipo de conta, por exemplo, empresas exportadoras, companhias com dívidas externas e negócios com participação de investidores estrangeiros.[1]

A mudança faz parte da implementação da Lei 14.286/2021, o novo marco cambial, e busca tornar o mercado de câmbio mais moderno, eficiente e alinhado a práticas internacionais.[1][4] Em algumas situações, transferências entre contas em moeda estrangeira poderão ocorrer sem necessidade de contratar operação de câmbio, reduzindo custo e tempo de liquidação.[1][4]

O BC ressalta que a medida não libera o uso de dólar ou euro no dia a dia dentro do Brasil para pagamentos correntes, nem altera a formação da taxa de câmbio.[1] As contas seguem sujeitas a controles e comprovação de vínculo com as operações externas, como exportações, crédito externo e investimento estrangeiro direto.[1][4]

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Por que importa para o agro

Exportadores de grãos, carnes, açúcar, etanol, café e outras commodities passam a ter mais opções para reter e movimentar receitas em moeda forte dentro do sistema bancário nacional, em vez de depender apenas da conversão imediata para reais ou da manutenção de recursos no exterior.[1][4] Isso abre espaço para estratégias de gestão de fluxo de caixa e de proteção cambial mais finas, ajustadas ao cronograma de custos de produção e embarques.

A possibilidade de transferências mais simples entre contas em moeda estrangeira também tende a reduzir custos operacionais em pagamentos ligados a frete internacional, seguros, insumos importados e serviços no exterior, itens cada vez mais relevantes na estrutura de custo das cadeias agroexportadoras. A medida ainda melhora o ambiente para entrada de capital estrangeiro em agroindústrias, armazenagem, logística e infraestrutura rural.[1][4]

Dados e contexto

O agronegócio responde por fatia expressiva das exportações brasileiras, que, segundo dados recentes do Ministério da Agricultura e da Conab, superam regularmente US$ 150 bilhões por ano em produtos do campo, com forte peso de soja, milho e carnes. Boa parte dessa receita entra em moeda estrangeira e é sensível à volatilidade cambial.

Com o novo marco cambial, o BC vem atualizando normas como as Resoluções BCB nº 277 e 278, que tratam do mercado de câmbio, capital estrangeiro e movimentação de recursos em reais e em moeda estrangeira.[4][7] A atual resolução sobre contas em moeda estrangeira se soma a esse pacote de modernização.

Alguns limites continuam válidos em outras frentes regulatórias, como o controle sobre o ingresso e saída física de moeda em espécie acima de US$ 10 mil, que deve ocorrer por meio de instituição autorizada a operar no câmbio.[4] Também se mantêm obrigações de registro e reporte de operações externas, especialmente em crédito e investimento, seguindo parâmetros do BC.[4][7]

Para exportadores, o ponto-chave é que a regulamentação amplia o uso de contas em moeda estrangeira no país sem abrir mão de rastreabilidade e prevenção a ilícitos financeiros, alinhando o Brasil a práticas de outros mercados relevantes.[1][4]

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas do agro devem acompanhar como bancos e cooperativas de crédito vão oferecer essas contas em moeda estrangeira, quais serão as tarifas, exigências de documentação e a integração com produtos de hedge, como contratos futuros e opções. Há oportunidade para melhorar a gestão cambial e o casamento entre receitas em dólar e despesas em reais, mas o uso dessas contas exigirá planejamento tributário, atenção às regras do BC e suporte técnico especializado em câmbio e gestão de risco.

Fontes

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