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BASF vence disputa de patente na China sobre herbicida saflufenacil

Decisão final na China proíbe empresa local de usar tecnologia patenteada da BASF com saflufenacil, reforçando proteção de moléculas inovadoras no agro.

27 de agosto de 2026 4 min de leitura
BASF vence disputa de patente na China sobre herbicida saflufenacil

A BASF obteve decisão judicial final favorável na China contra uma empresa local acusada de usar irregularmente a forma sólida de síntese patenteada do ingrediente ativo saflufenacil, herbicida comercializado no Brasil sob a marca Heat. A corte em Nanjing reconheceu a violação de patente, proibiu a fabricação e comercialização do produto infrator e determinou o pagamento de indenização à multinacional alemã.

O que aconteceu

A ação foi movida após a BASF identificar a produção, venda e oferta comercial de um herbicida que utilizava, sem autorização, a forma sólida de saflufenacil desenvolvida e patenteada pela empresa. Essa forma sólida está ligada ao processo de síntese e à estabilidade do ingrediente ativo, elemento central da proteção de propriedade intelectual.

O caso foi julgado pelo judiciário de Nanjing, na província de Jiangsu, leste da China. O tribunal concluiu que a empresa local infringiu os direitos de patente da BASF ao reproduzir a tecnologia sem licença. A decisão impede a fabricação, a comercialização e a exportação de produtos que utilizem essa forma específica do saflufenacil.

A companhia chinesa chegou a recorrer à Suprema Corte do país, mas desistiu da apelação. Com isso, a sentença de Nanjing tornou-se definitiva, consolidando a vitória da BASF e encerrando a disputa judicial no sistema jurídico chinês.

Por que importa para o agro

Para o produtor, o caso mostra que grandes fabricantes de defensivos seguem atuando de forma agressiva para proteger moléculas inovadoras e suas tecnologias associadas. Isso tende a manter o controle de mercado nas mãos de poucas empresas e sustenta preços baseados em patentes, até a entrada de genéricos após a expiração da proteção.

Por outro lado, a decisão reforça a segurança jurídica para investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos ingredientes ativos. Empresas como BASF, Syngenta e Bayer destinam bilhões de dólares por ano a P&D em herbicidas, fungicidas e inseticidas; decisões favoráveis em países-chave, como China e Estados Unidos, ajudam a justificar esse esforço e a manter um fluxo de novas soluções para manejo de plantas daninhas e resistência.

Dados e contexto

O saflufenacil é um herbicida de contato, usado em dessecação e manejo de plantas daninhas de folhas largas, com registro em vários mercados agrícolas. No Brasil, produtos com esse ingrediente ativo estão presentes em culturas como soja, milho e algodão, geralmente em programas de manejo de resistência aliados a outros modos de ação.

A proteção de patentes em defensivos costuma durar cerca de 20 anos a partir do depósito da invenção. Após esse período, o ingrediente ativo pode ser produzido por outros fabricantes, desde que respeitados registros e normas de segurança de órgãos como MAPA, Anvisa e Ibama no Brasil. Até lá, a empresa detentora controla o uso da tecnologia de síntese, formulações especiais e formas sólidas específicas.

O caso na China segue uma tendência de maior rigor global na proteção de patentes de agroquímicos. Em outros países, como Estados Unidos e membros da União Europeia, empresas têm obtido decisões que proíbem a venda de versões não autorizadas de moléculas como pyraclostrobin, fipronil e outros fungicidas e inseticidas. Isso reduz a oferta de produtos mais baratos, mas também desestimula a pirataria e o mercado paralelo de defensivos.

Para o agronegócio brasileiro, decisões como essa são um termômetro da competição global. A China é hoje um dos maiores polos de produção de genéricos de defensivos agrícolas. Quando tribunais chineses reforçam patentes de multinacionais, o recado para fabricantes locais é claro: copiar processos protegidos pode sair caro e levar à perda de mercados de exportação.

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas devem acompanhar eventuais reflexos dessa decisão na oferta e no preço de herbicidas à base de saflufenacil, especialmente em mercados com forte presença de produtos importados da Ásia. Para a cadeia como um todo, o caso sinaliza ambiente mais restritivo à oferta de genéricos que usem processos patenteados, o que pode atrasar a chegada de versões mais baratas, mas também aumentar a previsibilidade regulatória e a confiança em novas moléculas lançadas pelas grandes empresas de proteção de cultivos.

Fontes

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