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Bayer cria Ruveon e isola negócio de glifosato nos EUA

Bayer transfere todo o negócio de glifosato nos EUA para a nova empresa Ruveon, em movimento para blindar o agro dos riscos jurídicos do Roundup.

03 de julho de 2026 4 min de leitura
Bayer cria Ruveon e isola negócio de glifosato nos EUA

A Bayer decidiu concentrar todas as operações de glifosato nos Estados Unidos em uma nova empresa, a Ruveon, responsável por produção, precificação, logística, estratégias comerciais e gestão de litígios ligados ao Roundup. O movimento busca separar o risco jurídico do herbicida do restante do negócio agrícola, preservando a saúde financeira da gigante alemã e dando mais previsibilidade ao mercado.

O que aconteceu

Uma semana após conseguir sua maior vitória em disputas judiciais bilionárias envolvendo o Roundup, a Bayer anunciou que vai transferir toda a operação de glifosato nos EUA para a Ruveon, subsidiária criada exclusivamente para esse fim.[1][2]

A Ruveon passa a gerir o ciclo completo do produto: fabricação, política de preços, estratégias de mercado, supply chain e o passivo legal associado às ações de consumidores que alegam relação entre o uso do herbicida e casos de câncer.[1][2]

A nova empresa já nasce com estrutura executiva própria. O comando será de Alfonso Alba Ordóñez como CEO, com Steve Knodle à frente da área comercial, reforçando que a Ruveon atuará como operação segregada, ainda que sob controle da Bayer.[2]

Por que importa para o agro

Ao isolar o negócio de glifosato em uma empresa específica, a Bayer busca proteger sua divisão agrícola principal de impactos diretos de indenizações e acordos judiciais, que já somam mais de US$ 11 bilhões relacionados ao Roundup.[5][8] Isso reduz o risco de cortes bruscos em investimento, pesquisa e oferta de tecnologias para o campo.

Para o produtor, o recado é duplo: o glifosato continua sendo peça central no portfólio da Bayer para uso agrícola profissional nos EUA[4], mas o modelo de gestão do risco jurídico mudou. Esse desenho tende a manter a oferta de produto e serviço, ao mesmo tempo em que prepara terreno para uma possível cisão futura da divisão agrícola, hipótese já comentada por analistas.[1]

Dados e contexto

O Roundup, à base de glifosato, é um dos herbicidas mais usados no mundo e também o mais contestado em tribunais, especialmente nos EUA, em ações que alegam relação com linfoma não Hodgkin.[5]

Segundo dados de mercado compilados por veículos especializados, os litígios com glifosato elevaram os custos da Bayer com disputas e provisões para cerca de € 11,8 bilhões, dos quais € 9,6 bilhões diretamente ligados ao produto.[5][8]

Em paralelo, a Bayer já vinha ajustando sua estratégia. Nos EUA, anunciou o fim da venda de herbicidas à base de glifosato para o mercado residencial de gramados e jardins a partir de 2023, mantendo o fornecimento para uso profissional e agrícola.[4]

No Brasil, maior consumidor mundial de agrotóxicos segundo a Anvisa e o IBGE (dados de uso de defensivos e área agrícola), a empresa prepara para os próximos anos o lançamento do icafolin-metil, novo herbicida posicionado como alternativa em manejo de plantas daninhas com mecanismo de ação diferente do glifosato.[3][6]

IndicadorValor aproximado
Custos totais com litígios de glifosato (Bayer)**€ 11,8 bilhões**[5]

| Valor ligado diretamente ao glifosato | € 9,6 bilhões[5] | | Processos cobertos por acordo proposto nos EUA | cerca de 67 mil[5] |

Esse contexto jurídico e regulatório pressiona empresas a redesenharem estruturas, separando operações de maior risco para proteger o restante do negócio.

O que observar daqui pra frente

Produtores e agentes da cadeia devem acompanhar três frentes: possíveis mudanças na política de preços da Ruveon para glifosato nos EUA, eventuais impactos indiretos em outros mercados-chave como Brasil, e a evolução dos litígios e da discussão regulatória sobre o herbicida. Qualquer movimento de cisão da divisão agrícola da Bayer ou avanço rápido de alternativas como o icafolin-metil pode redesenhar o mercado global de herbicidas e influenciar decisões de manejo e custo de produção.

Fontes

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