Mercado

Be8 aposta em etanol de cereais e DDG e mira crescimento de 15% em 2027

Be8 expande atuação com etanol de cereais e DDG no RS, integra cadeia de inverno e projeta ampliar receita em 2027.

03 de setembro de 2026 4 min de leitura
Be8 aposta em etanol de cereais e DDG e mira crescimento de 15% em 2027

A Be8 acelera a estratégia no Rio Grande do Sul com a nova usina de etanol de cereais em Passo Fundo, que também produzirá DDG para nutrição animal. A empresa projeta crescimento próximo de 15% em 2027, apoiada na diversificação da matéria-prima, na maior oferta de etanol no Estado e no ganho de valor com coprodutos ricos em proteína.

O que aconteceu

A companhia gaúcha, tradicional no biodiesel, entrou de vez no segmento de etanol de grãos de inverno, com foco em trigo, triticale e outros cereais, além de milho em complemento. A planta de Passo Fundo será uma das primeiras do país dedicada a etanol de cereais de inverno em larga escala, com previsão de operação em meados de 2026 e impacto cheio nos resultados a partir de 2027.

O projeto integra três frentes: produção de etanol hidratado e anidro, fabricação de DDG/DDGS (farelo proteico resultante da destilação) e glúten vital. A combinação permite à Be8 capturar valor tanto no mercado de combustíveis quanto na cadeia de proteína animal, com venda de farelo de alto teor proteico para bovinos, suínos e aves.

Segundo executivos da empresa em entrevistas ao AgFeed e a outros veículos, a nova unidade deve adicionar mais de R$ 1 bilhão por ano ao faturamento quando estiver em plena capacidade, ajudando a puxar uma alta estimada de 10% a 15% na receita em 2026–2027.

Por que importa para o agro

Para o produtor gaúcho, o projeto abre um novo canal de venda para trigo, triticale e outros cereais de inverno, reduzindo a dependência exclusiva do mercado de farinha e ração. Com uma usina de grande porte demandando grãos perto das lavouras, tende a haver maior competição local e prêmios melhores em regiões próximas a Passo Fundo.

O DDG produzido entra como alternativa competitiva a farelos tradicionais na formulação de ração, principalmente farelo de soja e milho moído. Para integradores e pecuaristas, o coproduto oferece fonte de proteína e energia com boa relação custo-benefício, ajudando a diluir custos de alimentação em um cenário de margens apertadas.

Dados e contexto

A nova unidade da Be8 se insere em um movimento mais amplo de valorização dos cereais de inverno no Brasil, com o Rio Grande do Sul à frente. Dados da Conab e da Embrapa indicam avanço da área de trigo e triticale na rotação com soja, puxado por melhoramento genético, aumento de produtividade e novos mercados industriais.

Projetos já anunciados pela empresa e por parceiros industriais apontam, para Passo Fundo, capacidade na casa de 200 a 220 milhões de litros de etanol por ano e processamento de cerca de 500 mil toneladas anuais de cereais de inverno. Em paralelo, a produção de DDG/DDGS fica em torno de 150 mil toneladas por ano, volume suficiente para atender uma fatia relevante da demanda regional de ração.

Estudos do MAPA e da Embrapa Agroenergia mostram que o uso de grãos de inverno para etanol não concorre de forma direta com a oferta de alimentos, pois ocupa janelas ociosas de solo no inverno e reforça a rotação de culturas. Ao mesmo tempo, o etanol ajuda a reduzir emissões na matriz de combustíveis, alinhado às metas do RenovaBio.

Indicador aproximado da plantaValor estimado
Investimento totalcerca de R$ 1 a 1,3 bilhão
Capacidade anual de etanol200–220 milhões de litros
Processamento de cereais~500 mil t/ano
Produção anual de DDG/DDGS~150 mil t
Participação na demanda de etanol do RSaté 20–24%

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas devem monitorar contratos de fornecimento de cereais de inverno com a Be8, prêmios pagos por grão na região de Passo Fundo e a evolução do uso de DDG em dietas de bovinos, suínos e aves. A velocidade de ramp-up da planta, a política de mistura de etanol na gasolina e a volatilidade de preços de milho, trigo e farelos vão definir se o projeto manterá a projeção de crescimento de dois dígitos na receita em 2027 e quanto desse ganho será capturado pelo campo.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo