Tecnologia

Biotecnologia da soja leva até 15 anos para chegar à lavoura

Diretor da Bayer explica por que uma nova biotecnologia em soja pode levar até 15 anos entre pesquisa, testes e liberação até chegar ao produtor.

15 de junho de 2026 4 min de leitura
Biotecnologia da soja leva até 15 anos para chegar à lavoura

Uma nova biotecnologia para soja pode levar de 10 a 15 anos entre o início da pesquisa e a chegada efetiva à lavoura, segundo o diretor de pesquisa da Bayer ouvido pelo Canal Rural. O prazo reflete etapas rígidas de testes de eficiência, segurança e aprovação regulatória, que encarecem o desenvolvimento, mas buscam garantir estabilidade produtiva e segurança ao consumidor.

O que aconteceu

Em entrevista ao Projeto Soja Brasil, um diretor da Bayer detalhou o caminho que uma tecnologia percorre até ser lançada comercialmente. O ciclo começa com a descoberta de um gene ou característica de interesse, passa por validação em laboratório, casa de vegetação e ensaios a campo em diferentes regiões, antes de chegar aos pedidos de registro.

Segundo ele, apenas uma pequena fração das ideias testadas entra em fase comercial, após uma triagem rigorosa de performance agronômica, estabilidade e impacto ambiental. Cada etapa envolve equipes multidisciplinares e altos investimentos em pesquisa, biossegurança e análise de risco.

O executivo destacou que o processo inclui avaliações regulatórias complexas em órgãos nacionais e internacionais, o que amplia o prazo até o produtor ter acesso à tecnologia. A empresa busca alinhar o lançamento global, adequando os requisitos de cada país para evitar barreiras comerciais no mercado de grãos.

Por que importa para o agro

Para o produtor, esse prazo longo significa que as soluções em biotecnologia de hoje refletem demandas identificadas há uma década. Isso vale para resistência a pragas, tolerância a herbicidas e estresses climáticos, temas críticos em regiões de fronteira agrícola e áreas com pressão crescente de insetos e doenças.

Ao mesmo tempo, o ciclo longo pressiona empresas e pesquisadores a serem assertivos na escolha dos alvos. Uma aposta errada pode significar centenas de milhões de reais investidos em uma tecnologia que chega defasada ao mercado. Para o agro brasileiro, isso reforça a importância de diálogo entre pesquisa, indústria e campo, para priorizar características que tragam ganho real de produtividade e previsibilidade de manejo.

Dados e contexto

Desenvolver uma biotecnologia em soja envolve, em geral:

  • Descoberta e prova de conceito: identificação do gene ou característica desejada e testes iniciais.
  • Ensaios em casa de vegetação e campo: avaliação agronômica em diferentes ambientes por vários anos-safra.
  • Estudos de segurança alimentar e ambiental: exigidos por órgãos reguladores nacionais e importadores.
  • Registros e aprovações: processos junto a agências governamentais, que podem levar anos.
Pesquisas sobre proteção de cultivares e OGMs apontam que o desenvolvimento de uma nova variedade ou evento transgênico pode custar dezenas a centenas de milhões de reais ao longo de até 12 a 15 anos, somando pesquisa, testes, dossiês e tramitação regulatória.[8]

No Brasil, o arcabouço regulatório para biotecnologia envolve avaliações de biossegurança, impacto ambiental e uso seguro nas lavouras, em linha com exigências globais para exportação. Em paralelo, instituições como Embrapa e universidades desenvolvem materiais e técnicas de manejo que complementam essas tecnologias no campo.[2]

Para o produtor, isso se traduz em sementes que carregam pacotes tecnológicos mais complexos, combinando genética, biotecnologia e tratamentos de semente, com foco em estabilidade de rendimento e redução de riscos produtivos.[7]

O que observar daqui pra frente

Nos próximos anos, a tendência é ver biotecnologias voltadas não só a pragas e herbicidas, mas também a resiliência hídrica, eficiência no uso de nutrientes e integração com biológicos. Para o produtor, a atenção deve estar em como essas inovações dialogam com o sistema de produção, custos de semente, exigências de mercado e compatibilidade com práticas de manejo sustentável, para capturar ganhos sem aumentar a dependência tecnológica.

Fontes

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