Sustentabilidade

Bordão-de-velho melhora o solo quando integrado às pastagens

Árvore nativa se destaca em sistemas silvipastoris por fixar nitrogênio, fornecer sombra e favorecer a qualidade do solo e do pasto.

20 de outubro de 2026 4 min de leitura
Bordão-de-velho melhora o solo quando integrado às pastagens

O bordão-de-velho (Samanea tubulosa) foi apontado como uma das espécies nativas mais indicadas para arborização de pastagens. Presente principalmente na Amazônia e no Cerrado, a árvore combina capacidade de fixar nitrogênio, formação de sombra e arquitetura de copa favorável ao crescimento das gramíneas.

A integração pode melhorar as condições químicas, físicas e biológicas do solo, além de criar um ambiente mais confortável para os animais. A prática também abre espaço para sistemas produtivos com maior diversidade e menor dependência de áreas novas.

O que aconteceu

A Embrapa avaliou 51 espécies de árvores que ocorrem naturalmente em pastagens. O estudo considerou 15 características de cada espécie, incluindo qualidade da sombra, produção de frutos, fornecimento de nitrogênio e potencial para produção de madeira.

O bordão-de-velho teve o melhor desempenho entre as espécies avaliadas para prestação de serviços no sistema. Como leguminosa, a árvore pode contribuir para a fixação biológica de nitrogênio, nutriente essencial ao desenvolvimento das forrageiras.

A copa também permite a entrada de luz em quantidade suficiente para manter o crescimento do capim. O resultado depende, porém, do espaçamento, da espécie forrageira e do manejo das árvores já existentes ou plantadas.

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Por que importa para o agro

A presença de árvores reduz a exposição do rebanho ao calor e ao vento. Com mais conforto térmico, os animais podem sofrer menos estresse e manter melhor desempenho, especialmente em regiões de temperaturas elevadas.

As folhas e raízes ampliam a ciclagem de nutrientes e o aporte de matéria orgânica. As raízes das árvores e das gramíneas exploram diferentes camadas do solo, ajudando na estrutura, na infiltração de água e na proteção contra erosão.

Para o produtor, o sistema pode diversificar a área sem eliminar a atividade pecuária. Além dos ganhos ambientais, espécies nativas podem oferecer frutos, madeira ou serviços ecológicos, conforme o projeto e o manejo adotado.

Dados e contexto

  • A avaliação da Embrapa analisou 51 espécies presentes em pastagens.
  • Foram consideradas 15 características por espécie.
  • O bordão-de-velho se destacou para fornecimento de serviços no sistema.
  • O parapará (Jacaranda copaia) teve destaque para produção de madeira.
  • Orientações técnicas indicam que cerca de 18 a 20 árvores por hectare podem fornecer sombra sem fechar excessivamente o pasto, desde que a distribuição e a copa permitam entrada de luz.
  • Gramíneas tolerantes ao sombreamento, como a braquiária decumbens, podem ser mais adequadas para áreas sob árvores.
O sistema silvipastoril exige planejamento. Árvores muito próximas podem reduzir a luminosidade e a produção de forragem. Já a baixa densidade pode limitar a sombra e os efeitos sobre o microclima. Podas, controle de plantas competidoras e análise do solo fazem parte do manejo.

O que observar daqui para frente

A adoção deve começar com diagnóstico da área, escolha de espécies nativas adaptadas e definição do espaçamento. O produtor precisa acompanhar a disponibilidade de forragem, o crescimento das árvores, a fertilidade e a compactação do solo. A oportunidade está em recuperar pastagens e elevar a resiliência do sistema, mas o resultado depende de manejo contínuo e compatibilidade entre árvore, capim, clima e rebanho.

Fontes

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