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Bradseg mantém foco no seguro rural sem abrir mão da rentabilidade

Seguradora vê espaço para crescer no campo, apesar da queda na subvenção pública e da redução da área agrícola protegida.

12 de outubro de 2026 4 min de leitura
Bradseg mantém foco no seguro rural sem abrir mão da rentabilidade

A Bradseg, holding que reúne os negócios de seguros do Bradesco fora da área de saúde, pretende ampliar a atuação no seguro rural. A estratégia, porém, não prevê crescimento a qualquer custo. A companhia quer preservar a rentabilidade da carteira em um mercado afetado pela redução da subvenção pública e pela menor contratação de apólices no campo.

O que aconteceu

O presidente da Bradseg, Ney Dias, afirmou que a empresa busca oportunidades em segmentos com baixa cobertura no Brasil, incluindo o agronegócio. A prioridade é crescer com equilíbrio, sem reduzir preços de forma agressiva para conquistar participação.

Segundo o executivo, algumas seguradoras aproveitam períodos de juros elevados para compensar resultados operacionais mais fracos com ganhos financeiros sobre as reservas. A Bradseg diz preferir manter um nível mínimo de rentabilidade para evitar uma carteira deficitária quando os juros recuarem.

O seguro rural enfrenta dificuldades após cortes na subvenção federal ao prêmio. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) indicam que a área plantada protegida caiu de 14% em 2021 para cerca de 3% em 2025. Mesmo com a retração, a Bradseg vê potencial de recuperação após a aprovação do marco legal que torna obrigatórias as despesas públicas relacionadas aos subsídios.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, a menor oferta de subvenção aumenta o custo de contratação do seguro. Em culturas expostas a secas, excesso de chuva, geadas e outros eventos climáticos, a redução da cobertura pode elevar o risco financeiro e dificultar o planejamento da safra.

A postura da Bradseg também sinaliza que o crescimento do mercado dependerá menos de descontos e mais de produtos adequados ao risco. Seguradoras podem ampliar a atuação em máquinas, lavouras, propriedades e operações ligadas ao crédito rural, desde que consigam precificar as apólices de forma sustentável.

A baixa cobertura mantém um grande mercado potencial. Ao mesmo tempo, a expansão dependerá da retomada dos recursos públicos, da previsibilidade orçamentária e de modelos capazes de atender diferentes perfis de produtor.

Dados e contexto

  • A área agrícola protegida por seguro rural recuou de aproximadamente 14% em 2021 para 3% em 2025, segundo dados citados da CNseg.
  • O seguro rural começou a enfrentar maior pressão após a redução da subvenção federal ao prêmio.
  • A arrecadação do segmento rural alcançou cerca de R$ 12,9 bilhões em 2025, com queda nominal de 8,8% em relação a 2024, conforme dados da CNseg.
  • O marco legal aprovado prevê maior obrigatoriedade para despesas públicas relacionadas aos subsídios do seguro rural.
  • A estratégia da Bradseg inclui preservar o resultado operacional, em vez de depender do retorno financeiro das reservas.
A subvenção é decisiva porque reduz o valor pago pelo produtor e amplia a adesão. Sem esse apoio, a contratação tende a se concentrar em operações de maior risco ou em produtores que precisam cumprir exigências de financiamento.

O que observar daqui para frente

A retomada do seguro rural dependerá da execução do orçamento para subvenção, da regulamentação do marco legal e da capacidade das seguradoras de oferecer coberturas compatíveis com cada região e cultura. Produtores devem acompanhar preço, franquia, riscos cobertos e prazo de indenização, além de comparar o seguro com outras ferramentas de gestão de risco.

Fontes

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