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Brasil amplia exportações de miúdos suínos para a China

China abre mais espaço para miúdos suínos brasileiros, diversificando a pauta de exportação e criando nova frente de receita para a suinocultura.

23 de maio de 2026 4 min de leitura
Brasil amplia exportações de miúdos suínos para a China

A exportação de miúdos suínos do Brasil para a China vem ganhando força, impulsionada por negociações sanitárias e comerciais recentes entre os dois países. O movimento melhora o aproveitamento da carcaça, gera receita adicional para frigoríficos e produtores e reforça o papel do país como grande fornecedor da proteína suína ao mercado chinês.

O que aconteceu

Governo brasileiro e autoridades chinesas avançaram em entendimentos para ampliar a lista de produtos suínos habilitados, incluindo miúdos como coração, fígado, rins, língua e orelha. A ampliação ocorre dentro de um protocolo sanitário já existente para carne suína in natura, agora revisado para permitir maior aproveitamento do animal nos embarques.

A demanda chinesa por miúdos cresce com a recuperação gradual do rebanho após a peste suína africana e com o consumo tradicional desses cortes no país asiático. Para o Brasil, que já é um dos maiores exportadores globais de carne suína, a abertura desse nicho ajuda a reduzir custos por animal e a agregar valor à produção, com foco em plantas frigoríficas habilitadas ao mercado chinês.

Segundo o Canal Rural, as conversas recentes reforçam a cooperação sanitária, com foco em rastreabilidade, inspeção e padronização de cortes de miúdos exigidos pelos importadores chineses. A expectativa é que o fluxo de embarques seja gradualmente ampliado à medida que novas plantas sejam auditadas e aprovadas.

Por que importa para o agro

Miúdos, que muitas vezes têm baixa valorização no mercado interno, podem se transformar em uma fonte relevante de receita na exportação, melhorando a margem da cadeia suinícola. Ao aumentar o valor capturado por animal abatido, frigoríficos ganham fôlego para negociar melhor com produtores e diluir custos fixos.

Para o suinocultor, um mercado externo mais forte para miúdos ajuda a sustentar o escoamento da produção em momentos de oferta elevada e pressão sobre o preço do animal vivo. Em um cenário de custo ainda alto de ração, qualquer ganho adicional ligado ao melhor aproveitamento da carcaça conta na sustentabilidade econômica da atividade.

Dados e contexto

  • De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a China responde por uma fatia significativa das exportações brasileiras de carne suína, frequentemente liderando o ranking de destinos.
  • Dados recentes da ABPA indicam que o Brasil exporta acima de 1 milhão de toneladas de carne suína ao ano, somando todos os mercados.
  • A China se destaca pela demanda por cortes específicos e miúdos, consumidos em larga escala na culinária local.
  • A Embrapa Suínos e Aves aponta que o melhor aproveitamento de subprodutos (como miúdos) é estratégico para aumentar a rentabilidade da cadeia e reduzir desperdício.
  • O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) vem negociando a ampliação e atualização de protocolos sanitários com a China, incluindo revisão de listas de plantas habilitadas.
IndicadorSituação geral do setor de exportação suína
Exportações totais de carne suína (ABPA)Acima de 1 milhão t/ano, com China entre os principais destinos
Perfil de demanda chinesaForte consumo de miúdos e cortes específicos
Efeito no abateMaior aproveitamento de carcaça, com mais itens exportáveis

Ao incluir miúdos no pacote de produtos, os frigoríficos conseguem vender uma parte da carcaça que tem menor saída no mercado interno, o que melhora a relação entre custo de produção e receita total. Isso também ajuda o Brasil a se posicionar como fornecedor mais completo, oferecendo desde cortes nobres até subprodutos.

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústrias devem acompanhar a habilitação de novas plantas, eventuais ajustes nos protocolos sanitários e a evolução dos preços pagos pelos miúdos no mercado externo. A consolidação da demanda chinesa, a concorrência de outros exportadores e possíveis mudanças no status sanitário global da suinocultura serão decisivas para definir se esse nicho se mantém como fonte estável e relevante de renda para o setor.

Fontes

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