Sustentabilidade

Brasil amplia papel na transição energética e na produção de alimentos

Brasil combina produção de alimentos, etanol e energia renovável para ganhar competitividade e relevância no cenário global.

30 de outubro de 2026 3 min de leitura
Brasil amplia papel na transição energética e na produção de alimentos

O Brasil reúne duas vantagens estratégicas para a economia global: capacidade de produzir alimentos em larga escala e uma matriz energética com forte participação de fontes renováveis. A combinação pode ampliar a competitividade do agro, reduzir emissões e fortalecer a posição do país em mercados cada vez mais pressionados por segurança alimentar e sustentabilidade.

O que aconteceu

A avaliação foi apresentada por Gonçalo Pereira, líder do Laboratório de Genômica e Bioenergia da Unicamp, em entrevista ao Canal Rural. Para o pesquisador, o Brasil está bem posicionado para liderar a transição energética porque dispõe de território, conhecimento tecnológico e produção agrícola diversificada.

A estratégia não envolve apenas clima. Também inclui segurança de abastecimento, competitividade industrial e geopolítica. O país pode produzir alimentos, biocombustíveis e eletricidade renovável em uma mesma base econômica, com integração entre lavouras, usinas, pecuária e indústria.

A experiência começou a ganhar escala na década de 1970, com o Proálcool. Desde então, o etanol de cana-de-açúcar se consolidou como alternativa à gasolina e passou a fazer parte da matriz de transportes brasileira.

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Por que importa para o agro

A integração entre agricultura e energia cria novas fontes de receita para produtores e empresas. A cana pode gerar etanol, açúcar, energia elétrica a partir do bagaço e biometano a partir de resíduos. Outras cadeias, como milho, soja e pecuária, também podem participar da produção de biocombustíveis e aproveitamento de coprodutos.

Para o produtor, a transição aumenta a demanda por matéria-prima, mas também exige eficiência. Rastreabilidade, redução de emissões, uso racional de insumos e aproveitamento de resíduos tendem a pesar mais nas decisões de compra e no acesso a mercados internacionais.

O avanço depende de infraestrutura, crédito e regras estáveis. Sem logística adequada, conexão elétrica e políticas de longo prazo, parte do potencial de geração de renda e inovação pode permanecer limitada.

Dados e contexto

  • O Brasil produz alimentos para cerca de 1 bilhão de pessoas, segundo a avaliação apresentada na reportagem do Canal Rural.
  • A cana-de-açúcar ocupa aproximadamente 0,5% do território nacional e sustenta uma cadeia relevante de produção de etanol.
  • A Conab estima que a safra brasileira de grãos 2025/26 alcance 360,1 milhões de toneladas, alta de 2,2% sobre o ciclo anterior.[2]
  • A produção de soja da safra 2025/26 está estimada em 180,6 milhões de toneladas, avanço de 5,3%.[2]
  • A colheita de milho no ciclo 2025/26 deve chegar a 141,7 milhões de toneladas, segundo a Conab.[2]
A escala agrícola dá ao país matéria-prima para alimentos, combustíveis e produtos industriais. O desafio é ampliar a produção sem abrir novas áreas, com ganhos de produtividade, recuperação de pastagens e adoção de tecnologias de baixo carbono.

O que observar daqui para frente

O avanço da transição energética dependerá da expansão do etanol, do biometano, do biodiesel e da eletrificação, além de investimentos em pesquisa e infraestrutura. Para o agro, as oportunidades estarão nas cadeias capazes de comprovar origem, eficiência e menor emissão. Produtores e empresas devem acompanhar políticas de biocombustíveis, exigências ambientais e novos mercados para energia e créditos de carbono.

Fontes

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