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Brasil e EUA retomam negociações após tarifaço que mira o agro

Governo brasileiro e Estados Unidos voltam à mesa de negociação para discutir sobretaxas de até 37,5% que atingem parte importante do agronegócio.

01 de setembro de 2026 4 min de leitura
Brasil e EUA retomam negociações após tarifaço que mira o agro

O Brasil e os Estados Unidos retomaram as negociações comerciais depois da aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros, que podem chegar a 37,5% em parte das exportações do agronegócio. A ofensiva norte-americana reacende a disputa em torno de etanol, açúcar e outros itens do agro e coloca em foco o custo da dependência do mercado dos EUA para produtores e indústrias brasileiras.

O que aconteceu

Após o anúncio de um tarifaço de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros, os EUA ampliaram a pressão com uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre parte das exportações, dentro de uma investigação comercial baseada na Seção 301 da legislação americana. Com isso, cerca de um terço das vendas do agro brasileiro para os EUA passa a enfrentar carga total de 37,5%.

O governo brasileiro reagiu politicamente e tecnicamente. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apresentou defesa formal contra as medidas e classificou as tarifas como indevidas e discriminatórias. Paralelamente, Brasília e Washington reabriram o diálogo em reuniões virtuais para discutir redução de alíquotas, ampliação de exceções e revisão dos critérios usados pelos EUA.

Alguns produtos foram preservados das novas taxas, como parte das exportações de café, carnes, suco de laranja, frutas e celulose, o que reduz parcialmente o impacto imediato sobre o agro. Porém, itens como o etanol brasileiro, que já sofria tarifa de 25%, seguem no centro da disputa, em um contexto de reciprocidade após o Brasil ter taxado o etanol de milho norte-americano.

Por que importa para o agro

Para o produtor e para a agroindústria, o tarifaço encarece o acesso ao principal mercado de alto valor agregado do mundo. Com tarifas próximas de 40%, muitos embarques ficam economicamente inviáveis, exigindo renegociação de contratos, redirecionamento de cargas e revisão de margens. Setores como biocombustíveis, açúcar e segmentos industriais ligados ao agro sentem imediatamente a pressão sobre preços e planejamento.

A retomada das negociações abre espaço para reduzir danos, ampliar exceções e ganhar tempo para ajustar estratégias comerciais. Ao mesmo tempo, o episódio reforça a necessidade de diversificar mercados, fortalecer acordos com outros parceiros e usar dados de instituições como Embrapa, Conab e MAPA para orientar decisões de produção e exportação com foco em competitividade e gestão de risco.

Dados e contexto

  • Segundo a CNA, cerca de 32,9% das exportações do agro brasileiro para os EUA passam a enfrentar sobretaxa de 37,5%.
  • Outros 12,3% dos embarques ficam sujeitos somente ao adicional de 12,5%, sem a tarifa de 25% anterior.
  • A primeira rodada de tarifas de 25% já tinha impacto estimado em R$ 4,6 bilhões para o agro brasileiro.
  • Aproximadamente 63,5% do valor das exportações do agronegócio brasileiro aos EUA ficou de fora do tarifaço inicial, em função da lista de isenções.
  • Produtos preservados até agora incluem parte importante das cadeias de café, carnes, suco de laranja, frutas e celulose.
  • O Brasil acionou instrumentos de defesa comercial e prevê levar a disputa ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC, além de aplicar medidas de reciprocidade.
IndicadorSituação após tarifaço

| Tarifa-base anunciada | 25% sobre parte dos produtos | | Sobretaxa adicional | 12,5% em itens selecionados | | Carga total em parte do agro | 37,5% sobre ~33% das exportações | | Exportações preservadas | ~63,5% do valor total para os EUA |

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o agro deve acompanhar de perto três pontos: o avanço das reuniões bilaterais em nível ministerial, a definição final da lista de exceções e a eventual escalada de medidas de reciprocidade pelo Brasil. Para o produtor e para a agroindústria, o foco prático está em contratos de exportação, renegociação de preços, alternativas de destino e oportunidades em outros mercados, inclusive diante de possíveis reacomodações de oferta e demanda medidas por Conab, USDA e IBGE.

Fontes

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