Sustentabilidade

Brasil evita US$ 32,4 bilhões em gastos com fósseis graças às renováveis em 2025

Expansão das fontes renováveis fez o Brasil economizar US$ 32,4 bilhões em combustíveis fósseis em 2025, segundo a Irena, reforçando competitividade e atratividade do agro.

03 de julho de 2026 4 min de leitura
Brasil evita US$ 32,4 bilhões em gastos com fósseis graças às renováveis em 2025

O Brasil deixou de gastar US$ 32,4 bilhões com combustíveis fósseis em 2025 graças à expansão das fontes renováveis, segundo relatório da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena). A economia foi a 3ª maior do mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos, e reforça a competitividade da matriz elétrica brasileira, com impacto direto em custos de produção, investimentos e imagem do agro.

O que aconteceu

A Irena analisou quanto os países teriam desembolsado a mais em carvão, petróleo e gás se não tivessem ampliado a geração renovável nos últimos anos. No Brasil, a combinação de hidrelétricas, eólica, solar e biomassa gerou uma economia estimada em US$ 32,4 bilhões em 2025, colocando o país entre os destaques globais.[1]

Globalmente, os novos projetos renováveis adicionados em 2024 evitaram cerca de US$ 57 bilhões em custos com combustíveis fósseis, segundo a Irena.[4] A energia solar teve custo médio de US$ 0,043/kWh, e a eólica terrestre, US$ 0,034/kWh, valores bem abaixo de muitas fontes fósseis, o que explica a vantagem econômica da transição.[4]

O relatório também reforça que países com matriz mais limpa têm maior proteção contra volatilidade de preços internacionais de petróleo e gás. No caso brasileiro, a alta participação de renováveis reduz a exposição a choques externos e ajuda a conter pressão sobre tarifas e custos de energia em setores intensivos em eletricidade, como indústria de alimentos e irrigação.[1]

Por que importa para o agro

A economia bilionária com combustíveis fósseis não é apenas um dado macroeconômico: ela influencia o custo de energia para produtores rurais, cooperativas e agroindústrias. Uma matriz mais renovável tende a reduzir a dependência de termelétricas caras movidas a óleo ou gás em períodos críticos, ajudando a estabilizar preços de energia usados em irrigação, secagem de grãos, armazenagem refrigerada e processamento.

Além disso, o agro brasileiro ganha argumento competitivo em mercados que valorizam baixa pegada de carbono. Exportadores de soja, carnes, café e frutas podem se apoiar na alta participação de renováveis na matriz elétrica do país para mostrar menor intensidade de emissões por tonelada produzida, o que pesa em exigências de compradores europeus e asiáticos, em taxações de carbono e em novas barreiras não tarifárias.

Dados e contexto

A matriz elétrica brasileira já é majoritariamente renovável, com cerca de 84% de fontes limpas em 2025, incluindo hidrelétricas, solar, eólica e biomassa.[2] Isso coloca o país entre os líderes mundiais em participação de renováveis na geração de eletricidade.

Segundo a Irena e outras instituições:

  • Projetos renováveis adicionados globalmente em 2024 evitaram US$ 57 bilhões em custos com fósseis.[4]
  • No Brasil, a substituição de combustíveis fósseis por renováveis gerou economia de US$ 32,4 bilhões em 2025, a 3ª maior entre os países.[1]
  • A energia solar teve custo médio mundial de US$ 0,043/kWh, e a eólica terrestre, US$ 0,034/kWh.[4]
Mesmo com a matriz limpa, o país ainda direciona grande volume de subsídios para combustíveis fósseis. Estudos do Inesc apontam cerca de R$ 81,9 bilhões em incentivos para fósseis contra R$ 18,06 bilhões para renováveis, o que mostra espaço para ajustar políticas públicas e potencializar a economia com energia limpa.[3]

No cenário global, a Agência Internacional de Energia (IEA) estima US$ 3,3 trilhões em investimentos em energia em 2025, sendo US$ 2,2 trilhões em tecnologias de energia limpa, o dobro do volume destinado a fósseis.[6] Isso reforça a tendência de que o capital global está migrando para soluções de baixo carbono, inclusive em cadeias ligadas ao agro.

O que observar daqui pra frente

Para o produtor rural, o ponto-chave é acompanhar políticas de expansão das renováveis e de tarifas de energia, especialmente em regiões com forte presença de agroindústria e irrigação. Mudanças em subsídios, leilões de energia, regras de geração distribuída e linhas de crédito para sistemas solares e bioenergia podem reduzir custos de produção, abrir novas fontes de renda (como venda de excedentes de energia) e fortalecer a imagem de sustentabilidade do agro brasileiro em mercados externos.

Fontes

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