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Brasil pode importar até 10 milhões de toneladas de trigo em 2027

Queda na produção nacional e problemas de qualidade podem elevar as importações brasileiras de trigo para até 10 milhões de toneladas em 2027.

23 de outubro de 2026 3 min de leitura
Brasil pode importar até 10 milhões de toneladas de trigo em 2027

O Brasil poderá importar entre 9,5 milhões e 10 milhões de toneladas de trigo em 2027, segundo estimativa apresentada por Tito Marquetti Martinho, diretor sênior de Originação e Trading de Trigo da Bunge. A previsão reflete a queda da produção nacional e problemas na qualidade do cereal colhido, com impacto direto sobre moinhos, preços e logística.

O que aconteceu

A redução da oferta brasileira deve aumentar a dependência do mercado externo para atender ao consumo interno. Além do volume menor, a qualidade do trigo produzido em algumas regiões pode exigir compras específicas de lotes com melhores características industriais.

A projeção foi apresentada durante o Congresso Internacional da Indústria do Trigo, promovido pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo). O cenário supera as estimativas oficiais disponíveis para a safra 2026/27, que apontam importações próximas de 7,1 milhões a 7,5 milhões de toneladas.

A Argentina deve continuar como principal fornecedora do Brasil. No primeiro semestre de 2026, cerca de 73% das importações brasileiras de trigo vieram do país vizinho, segundo dados citados pelo USDA.

Por que importa para o agro

Para os moinhos, o aumento das compras externas eleva a exposição ao câmbio, aos custos de frete e às condições de oferta nos países exportadores. A necessidade de buscar trigo fora do Mercosul também pode pressionar tarifas, prazos de entrega e a capacidade dos portos brasileiros.

Para o produtor, a menor oferta interna pode sustentar os preços, mas não garante remuneração maior. O valor recebido dependerá da qualidade do grão, da demanda dos moinhos, da paridade de importação e da concorrência com o trigo argentino.

Dados e contexto

  • 9,5 milhões a 10 milhões de toneladas: faixa estimada para as importações brasileiras em 2027 pelo executivo da Bunge.
  • 7,1 milhões de toneladas: previsão da Conab para as importações na safra 2026/27.
  • 7,2 milhões de toneladas: estimativa do USDA para o mesmo ciclo, em equivalente de grão de trigo.
  • Cerca de 14 milhões de toneladas: consumo interno anual frequentemente considerado nas projeções do setor.
  • Até 6 milhões de toneladas: estimativa setorial para a produção brasileira em um cenário de forte quebra.
A Conab também projeta queda de 23,5% na produção nacional em relação ao ciclo anterior. Em outra estimativa divulgada para a safra 2026/27, a produção brasileira aparece em 5,8 milhões de toneladas, contra 7,87 milhões no ciclo anterior.

A diferença entre as projeções mostra que o volume final de importação dependerá do rendimento da lavoura, da qualidade do trigo colhido, dos estoques e do ritmo de consumo. O USDA trabalha com o conceito de equivalente de grão, que inclui trigo, farinha e produtos convertidos para a mesma base.

O que observar daqui pra frente

O mercado deve acompanhar a colheita no Sul, os laudos de qualidade, o câmbio e a disponibilidade argentina. Também será necessário observar compras de origens fora do Mercosul, especialmente se a oferta regional não atender às exigências dos moinhos. Para o produtor, cultivares adaptadas, manejo voltado à qualidade e contratos antecipados podem reduzir parte da exposição à volatilidade.

Fontes

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