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Brasil pode reduzir importação de fertilizantes em até 14% na safra 2026/27

Importações podem cair para 40,2 milhões de toneladas em 2026, mesmo com aumento de 2,3% na área cultivada de grãos.

03 de novembro de 2026 3 min de leitura
Brasil pode reduzir importação de fertilizantes em até 14% na safra 2026/27

O Brasil pode encerrar 2026 com importação de fertilizantes entre 12% e 14% menor, mesmo com a expansão da área cultivada de grãos. A projeção indica compras externas de aproximadamente 40,2 milhões de toneladas, contra o recorde de 45,5 milhões de toneladas registrado em 2025. O movimento reduz a disponibilidade de nutrientes para o campo e exige atenção ao planejamento de compras.

O que aconteceu

A estimativa foi elaborada a partir de dados oficiais de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No cenário de maior volume, as importações recuariam 5,3 milhões de toneladas em relação ao ano anterior.

A retração ocorre apesar do crescimento de 2,3% na área de grãos, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 85,4 milhões de hectares para a safra 2026/27. O recuo também aparece na relação entre fertilizante importado e área cultivada.

Entre julho e setembro, período de concentração das compras para o plantio de verão, o país importou 47,2 quilos de nutrientes por hectare previsto. O índice ficou quase 20% abaixo do registrado no início da safra anterior e foi o menor dos últimos quatro ciclos.

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Por que importa para o agro

O Brasil ainda depende de aproximadamente 85% de fertilizantes importados para atender à demanda agrícola. Uma redução nas compras externas pode refletir decisões de antecipação ou adiamento por parte dos produtores, menor capacidade financeira, preços elevados ou expectativa de queda nas cotações das commodities.

Para o produtor, o principal risco é a combinação entre menor disponibilidade e concentração das compras em determinados períodos. Esse cenário pode elevar custos logísticos, aumentar a volatilidade dos preços e dificultar a aquisição de nutrientes próximos ao plantio. Por outro lado, estoques menores também podem abrir espaço para renegociação de contratos e compras mais estratégicas.

Dados e contexto

  • 40,2 milhões de toneladas: projeção de importação de fertilizantes em 2026.
  • 45,5 milhões de toneladas: volume importado em 2025.
  • 12% a 14%: faixa estimada de queda nas compras externas.
  • 85,4 milhões de hectares: área de grãos prevista pela Conab para a safra 2026/27.
  • 47,2 quilos por hectare: nutrientes importados entre julho e setembro.
  • 85%: participação aproximada dos fertilizantes importados no consumo brasileiro.
A Conab informou que as importações acumuladas até setembro chegaram a 28,4 milhões de toneladas, contra 33,7 milhões de toneladas no mesmo período do ano anterior. O resultado representa queda de 15,7% e o menor volume para o intervalo desde 2022.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) trabalha, por meio do Plano Nacional de Fertilizantes, para ampliar a produção doméstica. A meta de longo prazo é elevar a participação nacional para entre 45% e 50% da demanda interna até 2050.

O que observar daqui para frente

Produtores devem acompanhar preços, disponibilidade regional e prazos de entrega antes de definir o pacote de adubação. Também será necessário observar o ritmo das importações no último trimestre, a produção nacional, o câmbio e os efeitos climáticos sobre a decisão de plantio. A dependência externa continuará sendo o principal fator de risco para o mercado brasileiro.

Fontes

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