Mercado

Demanda por carne ovina cresce, mas oferta limita mercado em Santa Catarina

Frigoríficos catarinenses recebem pedidos acima da capacidade de abate, enquanto produtores enfrentam desafios para ampliar a oferta de cordeiros.

02 de novembro de 2026 3 min de leitura
Demanda por carne ovina cresce, mas oferta limita mercado em Santa Catarina

A demanda por carne ovina avançou em Santa Catarina, mas a oferta de animais ainda não acompanha o ritmo dos pedidos. No oeste do estado, frigoríficos enfrentam dificuldade para manter o abastecimento e operar com regularidade. O cenário cria oportunidade para produtores, mas exige mais produtividade, organização e escala.

O que aconteceu

Um frigorífico da região abate cerca de 1.000 ovinos por mês, enquanto a demanda chega a aproximadamente 10.000 animais. A diferença mostra o tamanho do descompasso entre o consumo e a capacidade de fornecimento da cadeia.

O aumento do consumo interno é acompanhado pela saída de parte da produção catarinense para mercados como São Paulo e Rio de Janeiro. A redução do rebanho no Rio Grande do Sul, tradicional fornecedor regional, também restringe a disponibilidade de animais.

Produtores começam a ampliar os plantéis para atender ao mercado. Há casos de criadores que passaram de poucas matrizes para rebanhos com centenas de animais, com planos de aumentar a área destinada à atividade. A expansão, porém, depende de alimentação, sanidade, genética e manejo adequado.

Por que importa para o agro

A escassez de cordeiros pode melhorar a negociação para o produtor e estimular investimentos na ovinocultura. Frigoríficos com demanda contratada tendem a buscar fornecedores mais regulares, capazes de entregar animais padronizados e em volume suficiente.

O principal obstáculo está na pulverização da produção. Muitos criadores mantêm pequenos rebanhos, o que dificulta a formação de lotes comerciais e aumenta o custo de coleta. A organização por meio de associações, cooperativas ou programas de compra pode reduzir esse problema e aproximar produtor e indústria.

Dados e contexto

  • Santa Catarina tinha 349.499 ovinos em 2024, segundo dados do IBGE compilados pela Embrapa.
  • O rebanho estadual representa cerca de 1,6% do total brasileiro.
  • Os abates oficiais de ovinos no estado passaram de 8.419 cabeças, em 2016, para 28.282, em 2025.
  • Estimativas setoriais apontam produção anual de aproximadamente 143 mil ovinos, mas apenas 28,3 mil são destinados a abates inspecionados.
  • O estado conta com plantas frigoríficas habilitadas em diferentes níveis de inspeção, incluindo serviços federal, estadual, municipal e Sisbi.
A diferença entre a produção estimada e o abate formal indica espaço para ampliar a regularização da cadeia. Mais animais dentro do sistema de inspeção podem melhorar a segurança dos alimentos, a rastreabilidade e o acesso a redes varejistas.

A produtividade também precisa avançar. Santa Catarina possui aproximadamente 210 mil matrizes produtivas, com média estimada de 0,68 cordeiro por matriz ao ano. Melhorias em reprodução, nutrição e sanidade podem elevar a oferta sem depender apenas do aumento do rebanho.

O que observar daqui para frente

A evolução do mercado dependerá da capacidade de os produtores formarem lotes, padronizarem os animais e garantirem oferta ao longo do ano. Frigoríficos devem buscar contratos e canais de compra mais estáveis, enquanto criadores precisam avaliar custos, disponibilidade de alimento e acesso à assistência técnica. A formalização e a cooperação serão decisivas para transformar a demanda reprimida em crescimento sustentável.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo