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Brasil precisa avançar em rastreabilidade para manter acesso ao mercado da União Europeia

Conselheiro da UE alerta que o Brasil só manterá competitividade no bloco se acelerar a rastreabilidade e o controle de desmatamento na produção agropecuária.

18 de junho de 2026 5 min de leitura
Brasil precisa avançar em rastreabilidade para manter acesso ao mercado da União Europeia

A União Europeia elevou o nível de exigência para importar produtos agropecuários e vê a rastreabilidade completa da cadeia como condição para manter o Brasil competitivo. A mensagem, reforçada por conselheiro do bloco em evento do setor, é direta: sem sistemas robustos que comprovem origem, geolocalização e produção livre de desmatamento, o país pode perder espaço em um dos mercados mais rentáveis do agro brasileiro.

O que aconteceu

Em evento do agronegócio, um conselheiro da União Europeia afirmou que o Brasil precisa acelerar investimentos em rastreabilidade se quiser preservar e ampliar sua presença no mercado europeu. O alerta vem em meio à implementação do Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que endurece a checagem sobre commodities agrícolas importadas.[1][4]

Pelas novas regras, produtores que exportam para a UE terão de comprovar que a produção não vem de áreas desmatadas após a data de corte definida pelo regulamento e que está em conformidade com a legislação brasileira. Isso inclui fornecer coordenadas geográficas das áreas de produção e informações verificáveis para todo o percurso do produto, da fazenda até o porto.[1][3][4]

A falta de padronização em sistemas de rastreabilidade no Brasil é apontada como um dos principais gargalos. Diferentes metodologias e bancos de dados não conversam entre si, o que pode atrasar a adequação às exigências europeias e aumentar o risco de barreiras comerciais para carne bovina, soja, café e outras commodities.[1][2]

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Por que importa para o agro

A UE é um dos principais destinos de produtos do agro brasileiro, especialmente carne bovina, soja, café, cacau e madeira.[4] Sem atender às novas regras de rastreabilidade, empresas e produtores podem enfrentar suspensão de embarques, perda de contratos e necessidade de buscar mercados alternativos, muitas vezes pagando menos.

O impacto tende a ser mais forte em cadeias com grande número de fornecedores indiretos, como a pecuária de corte. Frigoríficos terão de rastrear não só o fornecedor direto, mas também a origem dos animais anteriores na cadeia, com geolocalização das fazendas e comprovação de que não houve desmatamento irregular.[2][3] Quem se antecipar, contudo, deve ganhar acesso preferencial, prêmio de preço e maior previsibilidade nas vendas ao bloco.

Dados e contexto

  • O Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) exige que produtos sejam livres de desmatamento e cumpram a legislação do país de origem.[1][4]
  • A norma obriga o envio de coordenadas geográficas das áreas de produção e uma declaração de due diligence em sistema eletrônico europeu, com avaliação de risco considerada “negligenciável”.[4]
  • A linha de corte para caracterizar área livre de desmatamento é a produção a partir de 2020–2021, dependendo da formulação final adotada pela UE.[1][4]
  • Commodities alvo incluem soja, carne bovina, café, cacau, óleo de palma, madeira e borracha, além de derivados.[4]
  • Estudo aponta que a falta de padrão na rastreabilidade coloca o Brasil em “corrida contra o tempo” para adequação, dado o volume e a complexidade da cadeia agropecuária nacional.[1]
  • Na pecuária, a UE já vem restringindo habilitações e reforçando exigências sanitárias e de controle de origem, pressionando por maior integração de dados entre sistemas públicos e privados.[2][8]
Exigência da UE (EUDR)Efeito sobre o Brasil
Prova de origem livre de desmatamentoPressão por mapas, CAR, geolocalização e cruzamento de bases públicas e privadas
Coordenadas geográficas da área produtivaNecessidade de digitalizar e integrar dados de fazendas e fornecedores indiretos
*Due diligence* com risco “negligenciável”Mais auditorias, sistemas de monitoramento e certificações na cadeia
Escopo ampliado de commoditiesMaior impacto em soja, carne, café, cacau e madeira exportados pelo país

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústrias que exportam para a UE precisam acompanhar a regulamentação final do EUDR, os prazos de implementação e como o Brasil vai estruturar sistemas nacionais de rastreabilidade e integração de dados. A capacidade de conectar informações de CAR, cadastros sanitários, notas fiscais e monitoramento por satélite será decisiva para evitar exclusões de mercado e, ao mesmo tempo, transformar a rastreabilidade em diferencial competitivo, capturando prêmios e contratos de longo prazo.

Fontes

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