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Brasil registra primeiro biofungicida 100% à base de metabólitos para a soja

Bioma, do ecossistema Cogny, lança o Metabolic Protection, primeiro biofungicida brasileiro 100% à base de metabólitos registrado para a soja.

17 de agosto de 2026 4 min de leitura
Brasil registra primeiro biofungicida 100% à base de metabólitos para a soja

A Bioma, empresa do ecossistema Cogny, obteve junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária o registro do Metabolic Protection, primeiro biofungicida desenvolvido no Brasil formulado 100% à base de metabólitos para controle de doenças foliares na cultura da soja. O produto, apresentado no Congresso Andav 2026, abre uma nova frente na indústria de bioinsumos ao substituir moléculas químicas por compostos produzidos por microrganismos.

O que aconteceu

Após cerca de cinco anos de pesquisa, a Bioma conseguiu o registro comercial de um fungicida biológico totalmente baseado em metabólitos, sem presença de células microbianas, voltado inicialmente para o manejo de doenças de parte aérea na soja. O Metabolic Protection reúne cerca de 40 metabólitos diferentes, resultado da fermentação controlada de bactérias selecionadas, com ação multissítio sobre fungos patogênicos.

A empresa decidiu direcionar nesta primeira fase a distribuição do produto exclusivamente para a soja, principal cultura da carteira de clientes e também a mais relevante em área plantada no Brasil. Segundo a Bioma, já há estudos para ampliação de registro para feijão e algodão, acompanhando a demanda crescente por soluções biológicas em outras culturas comerciais.

Por que importa para o agro

Para o produtor de soja, o Metabolic Protection entra como alternativa real em manejo de resistência e rotação de modos de ação, ajudando a reduzir pressão de seleção sobre fungicidas químicos e a manter a eficácia dos produtos sintéticos por mais tempo. O caráter multissítio dos metabólitos diminui a chance de o fungo desenvolver resistência, algo crítico em doenças foliares que exigem várias aplicações ao longo do ciclo.

Do ponto de vista de mercado, o lançamento reforça o avanço dos bioinsumos na proteção de plantas e posiciona empresas nacionais em um segmento dominado por multinacionais. O Brasil é líder global em soja e já desponta entre os países que mais crescem em uso de biodefensivos, movimento monitorado por Embrapa e MAPA em políticas de incentivo à produção e uso de insumos biológicos.

Dados e contexto

A soja ocupa cerca de 45 milhões de hectares no Brasil, segundo estimativas recentes da Conab, concentrando grande parte do consumo de fungicidas do país. Nesse cenário, qualquer inovação em controle de doenças foliares tem impacto direto em custo de produção, produtividade e risco fitossanitário.

Já existem outros biofungicidas registrados para soja, muitos baseados em Bacillus e em misturas de bactérias, com eficiência superior a 80% para determinados alvos, conforme pesquisas divulgadas por Embrapa Milho e Sorgo em parceria com empresas privadas. A diferença no Metabolic Protection é a formulação composta apenas por metabólitos, sem presença de células vivas, o que pode facilitar estabilidade, mistura em tanque e compatibilidade com programas de aplicação já usados pelo produtor.

O uso de metabólitos como princípio ativo também dialoga com a tendência de bioinsumos mais específicos e combináveis com tecnologias atuais, como tratamento de sementes, aplicações foliares em mistura com fertilizantes líquidos e programas integrados de manejo. Para o MAPA, produtos biológicos registrados passam por avaliação semelhante à de defensivos químicos em segurança e eficácia, o que dá segurança regulatória ao produtor que busca alternativas.

IndicadorRelevância para o produtor
Área de soja no Brasil (Conab)~45 milhões ha, alto potencial de adoção
Metabólitos no produto Bioma~40 compostos, ação multissítio
Tempo de pesquisa~5 anos de desenvolvimento
Culturas-alvo iniciaisSoja, com estudos para feijão e algodão

O que observar daqui pra frente

Produtores e consultores devem acompanhar resultados de campo em diferentes regiões, custo por hectare em comparação com fungicidas químicos e desempenho do produto em condições de alta pressão de doenças. A expansão de registro para outras culturas e possíveis integrações com programas de manejo integrado de doenças serão pontos-chave para avaliar se a tecnologia de metabólitos 100% nacionais se consolida como peça fixa no portfólio de bioinsumos do agro brasileiro.

Fontes

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