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Madeira vira fibra funcional para melhorar desempenho de suínos

Tecnologia brasileira usa madeira de pinus de reflorestamento como fonte de fibra funcional para suínos, com foco em saúde intestinal e desempenho.

15 de agosto de 2026 4 min de leitura
Madeira vira fibra funcional para melhorar desempenho de suínos

Uma tecnologia desenvolvida no Brasil está usando madeira de pinus de reflorestamento como fonte de fibra funcional para suínos, em substituição parcial a ingredientes tradicionais como farelo de trigo e casca de soja.[1] A solução, apresentada no Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, promete melhorar saúde intestinal, aproveitamento de nutrientes, bem-estar e desempenho produtivo, com menor risco de contaminantes nas dietas.[1]

O que aconteceu

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um insumo à base de lignocelulose obtida de madeira de pinus, processada para atuar como fibra funcional na ração de suínos.[1] O processamento aumenta a capacidade de retenção de água, fazendo a fibra funcionar como uma “pequena esponja” no trato digestivo, regulando o trânsito intestinal e favorecendo a microbiota.[1][12]

A proposta é substituir parte das fontes convencionais de fibra por esse concentrado de lignocelulose, 100% vegetal e insolúvel, parcialmente fermentável, semelhante a produtos como a OptiCell, já descritos em pesquisas acadêmicas e utilizados na Europa.[3][8] Embora o custo por quilo seja maior que o de subprodutos como farelo de trigo, a inclusão na dieta é menor e o produto chega com padrão elevado de sanidade, livre de micotoxinas e metais pesados.[4][12]

Segundo Luciano Adrigueto, da Global Feed Solution, o uso dessa fibra funcional busca padronizar a oferta de fibra na granja, reduzir variação de matéria-prima e aumentar previsibilidade dos resultados zootécnicos, especialmente em matrizes e leitões.[1][12]

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Por que importa para o agro

Para o produtor de suínos, a escolha da fonte de fibra impacta diretamente desempenho, conversão alimentar e sanidade do plantel. Fibras funcionais de origem vegetal e processadas, como a lignocelulose de madeira, oferecem maior controle sobre a dieta, reduzem riscos de contaminação e podem diminuir a necessidade de antibióticos ao favorecer a saúde intestinal.[4][12]

Em granjas tecnificadas, a previsibilidade de desempenho pesa mais que o custo imediato do ingrediente. Se a inclusão mais baixa compensar o valor por quilo e entregar mais leitões viáveis, melhor ganho de peso e menor incidência de problemas digestivos, o impacto econômico pode ser positivo mesmo em cenários de margem apertada, especialmente em sistemas integrados.[3][10]

Dados e contexto

Pesquisas com fibras funcionais de lignocelulose em suínos indicam benefícios em gestação, lactação e fases iniciais:

  • Ingredientes como OptiCell C5 apresentam fibra bruta em torno de 65% e fibra alimentar total próxima de 85%, com perfil insolúvel e parcialmente fermentável.[4]
  • Estudos acadêmicos descrevem lignocelulose purificada de madeira fresca, tratada e sanitizada, livre de micotoxinas, usada como fonte de fibra padronizada em dietas de suínos.[8]
  • Textos técnicos apontam capacidade de ligação à água de até 800% em concentrados de fibra derivados de madeira fresca descascada e celulose pura transformada em fibra funcional.[12]
Abaixo, um resumo comparativo entre fontes convencionais e fibras funcionais concentradas:
Fonte de fibraCaracterísticas principais
Farelo de trigo / casca de sojaSubprodutos da indústria; maior risco de variação e contaminantes.[12][15]

| Feno de alfafa | Fibra longa, bom enchimento, usada em reprodutoras.[5][7] | | Lignocelulose de madeira | Fibra funcional concentrada, alta retenção de água, baixa carga de contaminantes.[3][4][12] |

O uso de fibras funcionais também dialoga com tendências de bem-estar animal e redução de antibióticos. Artigos técnicos relatam que, ao melhorar a função gastrointestinal e a produção de ácidos graxos voláteis, essas fibras ajudam a estabilizar a microbiota e reduzir diarreias, especialmente em leitões.[4][10][15]

O que observar daqui pra frente

Produtores e técnicos devem acompanhar custos, respostas zootécnicas e padronização ao incluir fibras funcionais de madeira nas dietas. Pontos-chave são: desempenho de matrizes e leitões, impacto na conversão alimentar, redução de problemas entéricos e consistência de resultados entre lotes. Se a tecnologia mantiver sanidade elevada, menor uso de medicamentos e ganhos produtivos estáveis, tende a se consolidar como alternativa competitiva às fontes tradicionais de fibra na suinocultura intensiva.

Fontes

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