Sustentabilidade

Brasil sai do Mapa da Fome, mas 44,8 milhões ainda não pagam dieta saudável

Brasil permanece fora do Mapa da Fome, mas 44,8 milhões de pessoas ainda não têm renda para comprar uma alimentação saudável.

30 de outubro de 2026 3 min de leitura
Brasil sai do Mapa da Fome, mas 44,8 milhões ainda não pagam dieta saudável

O Brasil permanece fora do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas, mas ainda enfrenta um problema de acesso econômico aos alimentos. Segundo a FAO, 44,8 milhões de brasileiros, ou 21,1% da população, não conseguem pagar uma dieta saudável. O dado mostra que reduzir a subnutrição não elimina as dificuldades de renda, preços e qualidade da alimentação.

O que aconteceu

O relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2026, divulgado pela FAO, confirmou que a parcela da população brasileira em situação de subnutrição ficou abaixo de 2,5% no triênio encerrado em 2025. Esse é o limite usado pela organização para classificar um país fora do Mapa da Fome.

A melhora ocorreu após avanços nos indicadores de segurança alimentar. Mesmo assim, o custo de uma alimentação adequada continua alto para milhões de famílias. A dieta considerada saudável inclui cereais, frutas, verduras, leguminosas e fontes de proteína em quantidades recomendadas.

Entre 2021 e 2025, a parcela de brasileiros sem condições financeiras de adquirir esse padrão de alimentação caiu de 31,2% para 21,1%. Em números absolutos, o contingente recuou de 65,3 milhões para 44,8 milhões de pessoas.

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Por que importa para o agro

O dado amplia a responsabilidade da cadeia produtiva além do volume colhido. A produção brasileira é relevante, mas o acesso final depende de renda, logística, preços no varejo e distribuição regional. Alimentos disponíveis no mercado não significam, automaticamente, alimentos acessíveis para toda a população.

Para produtores e empresas, o cenário reforça a demanda por eficiência, redução de perdas e oferta diversificada. Hortaliças, frutas, feijão, ovos, leite e carnes precisam chegar ao consumidor com menor custo, sem comprometer a remuneração no campo. A agricultura familiar também tem papel relevante no abastecimento local e nos circuitos curtos de comercialização.

A inflação de alimentos, eventos climáticos e custos de transporte podem elevar a insegurança alimentar mesmo quando a produção nacional cresce. A coordenação entre políticas públicas, produtores, indústria e varejo será decisiva para transformar oferta em acesso.

Dados e contexto

IndicadorDado
Brasileiros sem condições de pagar uma dieta saudável44,8 milhões
Participação da população nessa situação em 202521,1%
Participação em 202131,2%
Pessoas nessa situação em 202165,3 milhões
Limite de subnutrição para sair do Mapa da FomeAbaixo de 2,5%
Custo de referência da dieta saudável em 2025US$ 4,89 por pessoa ao dia, em paridade de poder de compra

A FAO usa o custo de uma cesta alimentar equilibrada para medir se a população tem renda suficiente para manter uma dieta saudável. O indicador é diferente da prevalência de subnutrição: uma pessoa pode consumir calorias suficientes e, ainda assim, não ter acesso regular a alimentos variados e nutritivos.

O que observar daqui para frente

O principal desafio será manter a queda da insegurança alimentar sem ampliar a pressão sobre preços. Devem ganhar importância programas de compras públicas, assistência alimentar, melhoria da logística e estímulo à produção regional. No agro, oportunidades estão em cadeias de alimentos básicos, redução de desperdícios, agregação de valor e modelos que aproximem produtor e consumidor.

Fontes

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