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BrasilAgro prepara retomada de compras de terras após quatro anos

Companhia avalia novas aquisições diante do aumento do estresse financeiro no campo, mas manterá vendas seletivas de ativos.

06 de outubro de 2026 3 min de leitura
BrasilAgro prepara retomada de compras de terras após quatro anos

A BrasilAgro avalia voltar a comprar propriedades rurais depois de passar os últimos quatro ou cinco anos concentrada na venda de ativos. A mudança ocorre em um momento de maior pressão financeira sobre produtores e empresas do agronegócio, cenário que pode abrir oportunidades no mercado de terras.

O que aconteceu

O CEO da BrasilAgro, André Guillaumon, afirmou que o ambiente atual está mais favorável à compra do que à venda de fazendas. Segundo ele, a companhia já analisa oportunidades concretas de diferentes tamanhos e pretende combinar aquisições com a continuidade de vendas seletivas.

Desde sua criação, em 2005, a empresa adota uma estratégia baseada na compra de propriedades com potencial de valorização. Depois, investe em infraestrutura, gestão e produtividade antes de vender os ativos por valores superiores.

Nos últimos anos, a BrasilAgro priorizou a geração de caixa e a redução de exposição financeira. A companhia informou ter vendido mais de R$ 2,5 bilhões em terras, fortalecendo sua posição para avaliar novos negócios.

Por que importa para o agro

A possível volta às compras pode aumentar a liquidez do mercado de terras agrícolas. Em períodos de endividamento elevado, produtores e grupos rurais podem antecipar vendas, renegociar ativos ou buscar sócios para preservar capital de giro.

Para a BrasilAgro, a estratégia também pode reduzir o custo de entrada em áreas com potencial produtivo. O foco tende a ser propriedades que permitam ganho de valor por meio de abertura de áreas, irrigação, melhoria de infraestrutura ou avanço de produtividade.

A movimentação pode influenciar preços regionais, principalmente em regiões de expansão de grãos. No entanto, a empresa não abandonou a venda de fazendas. O modelo previsto é mais flexível: comprar quando houver desconto ou potencial de transformação e vender quando a rentabilidade justificar a saída.

Dados e contexto

  • R$ 2,5 bilhões: valor superior ao total de terras vendido pela BrasilAgro nos últimos anos, segundo declaração do CEO.
  • 2005: ano de criação da companhia e início da estratégia de desenvolvimento e comercialização de propriedades agrícolas.
  • R$ 3,34 bilhões: valor estimado do portfólio imobiliário da BrasilAgro em 30 de junho de 2026, alta de 8,2% sobre o ciclo anterior.
  • 257,1 mil hectares: extensão total do portfólio, distribuído por seis estados brasileiros, além de áreas na Bolívia e no Paraguai.
  • 165,2 mil hectares: área planejada para plantio na safra 2026/27, 1% abaixo dos 167 mil hectares da temporada anterior.
A companhia também concluiu em 2026 a venda de 921 hectares da Fazenda Morotí, no Paraguai, por US$ 1,5 milhão. No Brasil, negociou 2.592,97 hectares da Fazenda Rio do Meio, na Bahia, por R$ 96,4 milhões.

O que observar daqui para frente

O principal ponto será a qualidade das oportunidades e a disciplina financeira nas aquisições. Juros, preços de soja e milho, disponibilidade de crédito e evolução do endividamento rural devem definir o ritmo dos negócios. Também será necessário acompanhar se a BrasilAgro conseguirá transformar novas áreas em produtividade e valorização sem comprometer caixa ou elevar excessivamente a alavancagem.

Fontes

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