BrasilAgro prevê retomada das compras de terras após quatro anos
Endividamento elevado no campo pode abrir oportunidades para a BrasilAgro comprar ativos rurais com preços mais atrativos.
A BrasilAgro avalia retomar de forma mais intensa a compra de propriedades rurais após quatro anos concentrada na venda de terras. A companhia vê o aumento do endividamento no agronegócio como um fator capaz de ampliar a oferta de ativos com preços mais atrativos. A estratégia segue o perfil anticíclico da empresa.
O que aconteceu
A companhia passou a observar uma mudança no mercado fundiário. Produtores pressionados por margens menores, crédito mais caro e dificuldades financeiras podem colocar fazendas à venda para reforçar o caixa ou reorganizar dívidas.
A BrasilAgro acumulou cerca de R$ 1,8 bilhão em vendas de propriedades nos últimos cinco anos, com média anual de R$ 369,1 milhões. O movimento permitiu monetizar áreas valorizadas durante o ciclo de alta das commodities.
Agora, a empresa pretende aumentar o volume de aquisições, mas sem abandonar a venda de terras maduras. A lógica é comprar em períodos de estresse, desenvolver as áreas e vender quando houver melhores condições de mercado.
Por que importa para o agro
A entrada de mais propriedades em negociação pode elevar a liquidez do mercado de terras, que passou por um período de menor volume de negócios. Para produtores capitalizados, o cenário cria oportunidades de expansão. Para quem enfrenta dificuldades, a venda pode ser uma alternativa para reduzir alavancagem.
O movimento também reforça a diferença entre ativos rurais. Fazendas com boa localização, infraestrutura, regularidade fundiária e potencial produtivo tendem a preservar valor. Áreas com problemas ambientais, jurídicos ou baixa produtividade podem exigir descontos maiores e maior prazo para recuperação.
Dados e contexto
- A BrasilAgro atua com compra, desenvolvimento, exploração e venda de propriedades agrícolas.
- A empresa afirma seguir uma estratégia anticíclica: vende mais quando os preços estão elevados e procura comprar quando o mercado perde liquidez.
- As terras chegaram a ser negociadas em patamares elevados durante o ciclo de valorização da soja, quando a oleaginosa alcançou cerca de R$ 200 por saca em alguns mercados.
- O custo financeiro se tornou um obstáculo relevante. A companhia informou ter dívidas próximas de 92% do CDI, mas reconhece que a despesa aumenta quando a taxa básica de juros permanece elevada.
- O mercado de capitais ampliou as alternativas de financiamento, com instrumentos como CRA, Fiagro e operações de follow-on. Ainda assim, o acesso é mais restrito para produtores com maior risco de crédito.
O que observar daqui para frente
A velocidade de novas compras dependerá da intensidade do endividamento rural e da disposição dos proprietários em aceitar preços menores. Também será necessário acompanhar juros, preços de soja e milho, condições climáticas e oferta de crédito. Para produtores, a prioridade é preservar caixa e avaliar o valor econômico da terra antes de vender ou expandir a área.
Fontes
- AgFeed – Após quatro anos, a anticíclica BrasilAgro prevê volta às compras
- AgFeed – Na BrasilAgro, a ordem agora é comprar e seguir vendendo
- Conab – Análises do mercado agropecuário
- moneytimes.com.br
- agfeed.com.br
- globorural.globo.com
- fnet.bmfbovespa.com.br
- agfeed.com.br
- en.clickpetroleoegas.com.br
- analisa.genialinvestimentos.com.br
- agfeed.com.br
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- gov.br
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