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Bunge fecha fábrica de fertilizantes na Argentina

Unidade em Campana produzia amônia e tiossulfato de amônio; decisão afeta 110 trabalhadores e ocorre em meio a mudanças no mercado de insumos.

01 de novembro de 2026 3 min de leitura
Bunge fecha fábrica de fertilizantes na Argentina

A Bunge encerrou as operações de uma fábrica em Campana, na província de Buenos Aires, na Argentina. A unidade produzia amônia e tiossulfato de amônio, insumos usados na fabricação de fertilizantes. A decisão afeta 110 trabalhadores e ocorre em um mercado pressionado por custos, infraestrutura antiga e mudanças no abastecimento de matérias-primas.

O que aconteceu

A fábrica operava havia mais de 50 anos. Segundo a Bunge, a unidade acumulava limitações de infraestrutura e tecnologia que reduziram a viabilidade econômica da operação. A empresa também citou mudanças nas condições de mercado e no fornecimento de insumos.

A planta produzia amônia, matéria-prima para fertilizantes nitrogenados como a ureia, e tiossulfato de amônio, usado em formulações líquidas com nitrogênio e enxofre. Esses nutrientes são aplicados em culturas como milho, trigo, arroz e cevada.

A companhia informou que o encerramento se restringe à fábrica de Campana. As demais atividades da Bunge na Argentina continuam funcionando. A decisão foi tomada após avaliação de alternativas operacionais e comerciais.

Por que importa para o agro

O fechamento reduz a capacidade industrial regional para produzir insumos ligados aos fertilizantes nitrogenados e às formulações líquidas. A unidade não atendia sozinha toda a demanda argentina, mas sua saída pode aumentar a dependência de importações e expor compradores a custos maiores de transporte, energia e câmbio.

Para produtores, o principal efeito não é imediato sobre a oferta brasileira, já que a decisão envolve uma planta específica na Argentina. O sinal mais amplo está na dificuldade de manter fábricas antigas competitivas em um setor dependente de gás natural, logística e escala industrial.

A América do Sul continua vulnerável a oscilações externas no mercado de fertilizantes. Qualquer interrupção adicional em plantas, portos ou rotas de abastecimento pode elevar os preços e alterar a relação de troca para culturas de alto consumo de nitrogênio.

Dados e contexto

  • A unidade de Campana tinha mais de 50 anos de operação.
  • O fechamento afeta 110 trabalhadores, segundo informações divulgadas sobre a decisão.
  • A amônia é base para a produção de fertilizantes nitrogenados, incluindo a ureia.
  • O tiossulfato de amônio fornece nitrogênio e enxofre em fertilizantes líquidos.
  • No Brasil, as importações de fertilizantes somaram 28,4 milhões de toneladas até setembro de 2026, queda de cerca de 15,7% ante o mesmo período de 2025, segundo a Conab.
  • Em 2025, o país importou 45,5 milhões de toneladas, recorde da série histórica da Conab.
A combinação desses dados mostra que o Brasil mantém forte dependência do mercado internacional, mesmo com variações no volume importado. O desempenho das compras externas depende dos preços globais, do câmbio, do frete e do calendário de aplicação nas lavouras.

O que observar daqui pra frente

Produtores e revendas devem acompanhar preços de ureia, fontes de enxofre, disponibilidade regional e prazos de entrega. Também será necessário monitorar possíveis mudanças no fluxo de importações argentino e seus efeitos sobre os mercados do Mercosul. Para o planejamento da safra, compras antecipadas e análise do custo por unidade de nutriente podem reduzir a exposição a novas oscilações.

Fontes

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