Mercado

Bunge vende duas usinas para a Cofco e sai de vez do setor sucroenergético no Brasil

Bunge vende duas usinas de cana em SP para a chinesa Cofco e reforça saída definitiva do setor sucroenergético no Brasil.

02 de setembro de 2026 4 min de leitura
Bunge vende duas usinas para a Cofco e sai de vez do setor sucroenergético no Brasil

A Bunge fechou acordo para vender duas usinas de cana-de-açúcar no interior de São Paulo para a chinesa Cofco, movimento que encerra sua presença industrial no setor sucroenergético brasileiro e reforça o foco global em grãos e óleos vegetais. O negócio ocorre após a saída da empresa da joint venture BP Bunge Bioenergia e consolida a expansão da Cofco no mercado de açúcar e etanol no país.

O que aconteceu

A Bunge acertou a venda das usinas Rio Vermelho e Nova Unialco, localizadas na região de Araçatuba (SP), para a Cofco International, braço de trading agrícola da China. As plantas foram incorporadas ao portfólio da Bunge após a fusão com a Viterra e agora passam ao controle integral da companhia chinesa.

As duas unidades têm capacidade conjunta estimada em cerca de 7 milhões de toneladas de cana por safra, atuando tanto na produção de açúcar quanto de etanol hidratado e anidro. Os valores da transação não foram divulgados, e o negócio ainda depende de aprovação de órgãos reguladores brasileiros.

A operação acontece pouco tempo depois de a Bunge concluir a venda de sua participação de 50% na BP Bunge Bioenergia para a britânica BP, em negócio avaliado em aproximadamente US$ 800 milhões. Com isso, a companhia encerra um ciclo de 16 anos na indústria sucroenergética e reforça a estratégia de priorizar originação, processamento de grãos e óleos.

Imagem

Por que importa para o agro

Para produtores de cana da região de Araçatuba, a troca de controle tende a manter a demanda por matéria-prima, mas com mudança de estilo de gestão e de política comercial. A Cofco costuma operar com forte integração entre originação local e demanda chinesa, o que pode trazer contratos mais alinhados a exportação de açúcar bruto e etanol.

No mercado, a saída da Bunge e a expansão da Cofco reforçam o movimento de concentração do setor em grupos com grande capacidade financeira e foco em bioenergia. Isso pode aumentar a competição por cana entre usinas de maior porte, pressionar margens de players menores e influenciar decisões de plantio em regiões canavieiras.

Dados e contexto

  • BP Bunge Bioenergia nasceu em 2019 e chegou a operar 11 usinas de cana no Brasil, somando moagem próxima de 30 milhões de toneladas de cana por safra.
  • A venda da fatia da Bunge na BP Bunge rendeu cerca de US$ 800 milhões em monetização do ativo.
  • As usinas vendidas à Cofco em São Paulo têm capacidade combinada estimada em 7 milhões de toneladas de cana por ano.
  • O Brasil é o maior produtor global de açúcar, respondendo por cerca de 20% a 25% da produção mundial, segundo dados de organismos internacionais como o USDA e a OIA.
  • A Conab estima a moagem de cana do Brasil em patamares acima de 600 milhões de toneladas nas últimas safras, com forte participação do Centro-Sul.
IndicadorEstimativa recente

| Usinas BP Bunge no Brasil | 11 unidades | | Moagem BP Bunge (safra 23/24) | ~30 mi t de cana | | Usinas Bunge vendidas à Cofco | 2 unidades | | Capacidade das duas usinas | ~7 mi t de cana/safra | | Moagem total de cana no Brasil | >600 mi t/safra |

Estimativas com base em dados de Conab e mercado.

O que observar daqui pra frente

Produtores e agentes do setor devem acompanhar como a Cofco vai posicionar as usinas em termos de mix açúcar–etanol, política de contratação de cana e investimentos em eficiência industrial. Também vale monitorar impactos nas bases de preço regionais, possíveis novos movimentos de consolidação entre usinas e eventuais mudanças regulatórias em biocombustíveis que possam alterar a atratividade do etanol frente ao açúcar exportado.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo