Sustentabilidade

Cacau regenerativo busca unir produtividade, biodiversidade e renda

Sistemas agroflorestais e práticas regenerativas ganham espaço no cacau brasileiro, com foco em qualidade, rastreabilidade e rentabilidade ao produtor.

05 de novembro de 2026 3 min de leitura
Cacau regenerativo busca unir produtividade, biodiversidade e renda

A agricultura regenerativa começa a ganhar espaço na cadeia do cacau brasileiro. A proposta combina produção de amêndoas, recuperação de áreas alteradas, conservação da biodiversidade e maior valor agregado. Empresas como Nestlé e Dengo estudam formas de ampliar esse modelo sem comprometer a rentabilidade dos produtores.

O que aconteceu

A discussão parte de experiências tradicionais do sul da Bahia, onde o cacau é cultivado em sistemas sombreados, conhecidos como cabruca. Nesse modelo, os cacaueiros crescem sob a cobertura de árvores nativas, criando um ambiente semelhante ao da floresta e reduzindo a exposição direta do solo.

A estratégia também avança na Amazônia. Levantamento da Embrapa identificou 121 mil hectares de cacau plantados no Pará e em Rondônia. O estudo aponta que a expansão ocorreu principalmente sobre áreas já alteradas, como pastagens degradadas e vegetação secundária, sem avanço sobre floresta nativa.

O interesse empresarial está ligado à necessidade de garantir matéria-prima, atender consumidores mais exigentes e reduzir riscos ambientais na cadeia. Parcerias recentes envolvem pesquisa genética, sistemas agroflorestais, restauração ecológica e medição de emissões.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, o sistema regenerativo pode abrir acesso a mercados que pagam por origem, qualidade, rastreabilidade e atributos ambientais. O cacau produzido em consórcio com árvores também pode diversificar a renda e melhorar a resiliência da lavoura diante de calor, estiagens e excesso de chuvas.

O desafio é transformar benefícios ambientais em receita. A implantação exige planejamento, mudas, assistência técnica, manejo de sombra e tempo até a formação do pomar. Sem produtividade e comercialização diferenciada, a adoção tende a ficar limitada a projetos-piloto.

Dados e contexto

  • Bahia e Pará concentram cerca de 96% da produção nacional de cacau, segundo levantamento da Embrapa com base em dados do IBGE.
  • O cacaueiro é uma cultura perene e pode produzir por mais de 50 anos quando manejado adequadamente.
  • A Embrapa destaca que sistemas agroflorestais podem preservar o solo, manter cobertura vegetal e favorecer a biodiversidade.
  • A Ceplac, vinculada ao Ministério da Agricultura, atua em pesquisa, inovação e transferência de tecnologia para a cadeia.
  • Uma parceria anunciada entre Nestlé, Barry Callebaut e re.green prevê a restauração de aproximadamente 8 mil hectares na Bahia e no Pará, com o plantio de 11 milhões de árvores.
A expansão do cacau também acompanha um cenário internacional de oferta mais apertada e preços elevados. Esse ambiente aumenta o interesse por produtividade, qualidade e regularidade, mas exige controle fitossanitário, boas práticas de pós-colheita e planejamento comercial.

O que observar daqui pra frente

O avanço do cacau regenerativo dependerá de indicadores verificáveis, contratos transparentes e remuneração compatível com o esforço do produtor. A rastreabilidade será decisiva para comprovar origem e impacto ambiental. Também será necessário ampliar crédito, assistência técnica e pesquisa para adaptar os sistemas às condições de cada região.

Fontes

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