Mercado

Café tradicional ganha mais conilon na mistura

Alta do arábica e maior resistência climática do conilon levaram a indústria a rever a composição dos cafés tradicional e extraforte.

16 de outubro de 2026 3 min de leitura
Café tradicional ganha mais conilon na mistura

O café tradicional e o extraforte vendidos no Brasil passaram por mudanças na composição. A indústria ampliou a participação do conilon, também conhecido como robusta, para reduzir custos diante da valorização do arábica. A alteração ocorre sem necessariamente mudar de forma perceptível o sabor do produto.

O que aconteceu

Os cafés mais consumidos no país são produzidos a partir de um blend, mistura de diferentes tipos de grão. Historicamente, o arábica teve maior participação nas formulações, por oferecer características sensoriais mais valorizadas pelo consumidor.

Nos últimos anos, porém, o conilon ganhou espaço. O arábica ficou mais caro para a indústria e sofreu impactos de eventos climáticos, como temperaturas elevadas, geadas e chuvas fora de época. A menor oferta aumentou a pressão sobre os preços.

O conilon apresenta maior resistência a variações climáticas e se tornou uma alternativa mais atraente para produtores e torrefadoras. A troca parcial ajuda a preservar a faixa de preço dos cafés tradicionais, segmento de entrada do mercado.

Imagem

Por que importa para o agro

A mudança altera a demanda por cada variedade e influencia decisões de plantio, comercialização e investimento. Com maior uso do conilon, produtores capixabas e de outras regiões especializadas na variedade podem encontrar mercado mais firme para sua produção.

Para o arábica, a valorização aumenta a receita potencial, mas também expõe o produtor a maior risco climático e a custos mais altos. A indústria, por sua vez, busca equilibrar qualidade, disponibilidade e preço final por meio da composição dos blends.

Dados e contexto

  • O arábica é mais sensível ao clima e costuma alcançar maior valor no mercado.
  • O conilon é mais resistente e tem participação crescente nas misturas destinadas ao consumo interno.
  • A Portaria SDA nº 570/2022, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), estabelece o padrão oficial de classificação do café torrado.
  • A legislação permite até 1% de impurezas e matérias estranhas no café torrado, conforme os critérios oficiais.
  • Galhos, folhas e cascas são exemplos de impurezas. Pedras, areia e sementes de outras espécies são classificadas como matérias estranhas.
  • A norma não proíbe a mistura entre arábica e conilon. O produto deve ser identificado como café e atender aos requisitos de qualidade e rotulagem.
A composição também varia conforme a categoria comercial. Cafés tradicional e extraforte aceitam maior presença de grãos fora do ponto ideal de maturação do que produtos gourmet ou especiais. Isso não significa autorização para adicionar milho, cevada, açúcar, corantes ou outros ingredientes não declarados.

O que observar daqui pra frente

O consumidor deve acompanhar o preço, a categoria e as informações do rótulo, enquanto o produtor precisa monitorar custos, clima e diferenciais de qualidade. Para a cadeia, os principais riscos são novas quebras de safra, volatilidade cambial e redução da oferta de arábica. A oportunidade está no aumento da eficiência, na rastreabilidade dos blends e na valorização de cafés com origem e padrão sensorial definidos.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo