Café tradicional ganha mais conilon na mistura
Alta do arábica e maior resistência climática do conilon levaram a indústria a rever a composição dos cafés tradicional e extraforte.
O café tradicional e o extraforte vendidos no Brasil passaram por mudanças na composição. A indústria ampliou a participação do conilon, também conhecido como robusta, para reduzir custos diante da valorização do arábica. A alteração ocorre sem necessariamente mudar de forma perceptível o sabor do produto.
O que aconteceu
Os cafés mais consumidos no país são produzidos a partir de um blend, mistura de diferentes tipos de grão. Historicamente, o arábica teve maior participação nas formulações, por oferecer características sensoriais mais valorizadas pelo consumidor.
Nos últimos anos, porém, o conilon ganhou espaço. O arábica ficou mais caro para a indústria e sofreu impactos de eventos climáticos, como temperaturas elevadas, geadas e chuvas fora de época. A menor oferta aumentou a pressão sobre os preços.
O conilon apresenta maior resistência a variações climáticas e se tornou uma alternativa mais atraente para produtores e torrefadoras. A troca parcial ajuda a preservar a faixa de preço dos cafés tradicionais, segmento de entrada do mercado.
Por que importa para o agro
A mudança altera a demanda por cada variedade e influencia decisões de plantio, comercialização e investimento. Com maior uso do conilon, produtores capixabas e de outras regiões especializadas na variedade podem encontrar mercado mais firme para sua produção.
Para o arábica, a valorização aumenta a receita potencial, mas também expõe o produtor a maior risco climático e a custos mais altos. A indústria, por sua vez, busca equilibrar qualidade, disponibilidade e preço final por meio da composição dos blends.
Dados e contexto
- O arábica é mais sensível ao clima e costuma alcançar maior valor no mercado.
- O conilon é mais resistente e tem participação crescente nas misturas destinadas ao consumo interno.
- A Portaria SDA nº 570/2022, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), estabelece o padrão oficial de classificação do café torrado.
- A legislação permite até 1% de impurezas e matérias estranhas no café torrado, conforme os critérios oficiais.
- Galhos, folhas e cascas são exemplos de impurezas. Pedras, areia e sementes de outras espécies são classificadas como matérias estranhas.
- A norma não proíbe a mistura entre arábica e conilon. O produto deve ser identificado como café e atender aos requisitos de qualidade e rotulagem.
O que observar daqui pra frente
O consumidor deve acompanhar o preço, a categoria e as informações do rótulo, enquanto o produtor precisa monitorar custos, clima e diferenciais de qualidade. Para a cadeia, os principais riscos são novas quebras de safra, volatilidade cambial e redução da oferta de arábica. A oportunidade está no aumento da eficiência, na rastreabilidade dos blends e na valorização de cafés com origem e padrão sensorial definidos.
Fontes
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