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Calor e falta de chuvas ameaçam colheita de cacau no sul da Bahia

El Niño deve trazer menos chuva e calor intenso para Santa Luzia (BA), elevando o risco de queda na produtividade e na qualidade do cacau a partir da safra de outubro.

10 de setembro de 2026 4 min de leitura
Calor e falta de chuvas ameaçam colheita de cacau no sul da Bahia

A região de Santa Luzia, no sul da Bahia, deve enfrentar nos próximos meses um cenário de calor acima da média e chuvas reduzidas, associado ao El Niño. Essa combinação aumenta o risco de estresse térmico e hídrico na lavoura cacaueira, com impacto direto na colheita principal, prevista para começar em outubro, afetando volume e qualidade dos frutos.

O que aconteceu

Modelos climáticos indicam que, entre setembro e outubro, a faixa de chuva em áreas produtoras do sul da Bahia deve ficar entre 50 e 80 mm, abaixo do ideal para cacau em fase de frutificação.[3][2] Para novembro e dezembro, a projeção é ainda mais preocupante, com acumulados podendo ficar abaixo de 20 mm, enquanto as temperaturas tendem a superar 32 ºC, alcançando picos de 36 ºC a 37 ºC em dias mais quentes.[2][5]

Esse quadro está ligado à atuação do El Niño, que geralmente reduz as chuvas no Nordeste e eleva as temperaturas em boa parte do país, incluindo o litoral sul da Bahia.[2][4] O calor intenso, somado à menor disponibilidade de água no solo, provoca estresse térmico e hídrico nas plantas, favorecendo queda de flores, problemas de frutificação e perda de qualidade dos frutos.

Especialistas em agrometeorologia ouvidos pelo Canal Rural apontam que a colheita intermediária não deve sentir impactos fortes, mas a próxima safra principal, que se desenvolve entre outubro e o início de 2027, já entra em campo sob condição climática adversa.[2][3]

Por que importa para o agro

Para o produtor de cacau da Bahia, esse cenário significa maior risco de quebra de safra e aumento de custos com manejo e irrigação suplementar, onde houver estrutura. Com menos chuvas e temperaturas mais altas, o potencial produtivo da lavoura cai, e a planta passa a direcionar energia para sobreviver, reduzindo o enchimento dos frutos e aumentando a chance de perda por doenças e estresse.[2][11]

No mercado, qualquer redução relevante na oferta da principal região produtora do país pode pressionar preços internos, num momento em que o cacau já vem registrando forte alta no cenário internacional.[7][13] Isso pode gerar oportunidade de preço para quem conseguir manter produtividade, mas amplia a volatilidade para indústrias de chocolate e derivados, que enfrentam maior custo de matéria-prima.

Dados e contexto

O cacau é uma cultura sensível ao balanço entre chuvas e temperatura. Pesquisador citado em reportagem da Bahia afirma que o problema central não é apenas o calor, mas a falta de chuva, já que cada planta pode demandar cerca de 40 litros de água por dia.[12]

Estudos da Ceplac e do Ministério da Agricultura mostram que episódios de secas combinadas com altas temperaturas já reduziram a produção em regiões cacaueiras em até 25% em safras anteriores, com registro de queda de folhas, atraso na floração e menor pegamento de frutos.[11][6]

Em trabalhos técnicos sobre eventos de El Niño, foram observadas reduções de até 65% na produtividade de cacau em anos de forte calor e chuvas fora de época, evidenciando a vulnerabilidade da cultura em ambientes de estresse hídrico e térmico.[6]

A Bahia segue como principal produtor de cacau do Brasil, segundo dados consolidados de Ceplac e IBGE, concentrando a maior parte da oferta nacional. Por isso, impactos climáticos na região sul, especialmente entre Ilhéus e Santa Luzia, têm peso direto na formação de preços internos e na disponibilidade de produto para indústrias.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar com atenção os boletins climáticos regionais, a evolução do El Niño e as projeções de chuva para primavera e verão. Se o cenário de baixa precipitação e calor persistir entre outubro e dezembro, a safra principal tende a registrar queda de produtividade, exigindo ajuste de manejo, proteção de solo, conservação de umidade e planejamento financeiro. A recuperação vai depender de quanto tempo a lavoura ficará sob estresse e de eventuais mudanças no padrão de chuva a partir do fim do ano.

Fontes

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